domingo, 4 de novembro de 2012

Deus da Carnificina

Direção: Roman Polanski
Roteiro: Roman Polanski e Yasmina Reza
Elenco: Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz, John C. Reilly

***

Yo! How's it going?

Hoje trago a vocês um pouco sobre uma película cujo apelo não é exatamente popular: "Deus da Carnificina", dirigida pelo consagrado Roman Polanski baseada na peça homônima escrita pela francesa Yasmina Reza, que também assina o roteiro ao lado do diretor. Indicado a várias premiações por conta de seu elenco, o cômico e curto longa é certamente uma boa pedida para aqueles que querem sair da mesmice e assistir um filme altamente pessoal e moralmente falho. Having said that, hora de começar.

Plano de fundo: Quando o pequeno Zachary Cowan atinge seu amigo Ethan Longstreet com um pedaço de pau durante uma discussão infantil, tanto Penelope (Jodie Foster) quanto Michael (John C. Reilly), pais da vítima, acham necessário ter uma conversa esclarecedora com Nancy (Kate Winslet) e Alan (Christoph Waltz), pais de Zachary. O que nenhum dos quatro sabe, contudo, é que o simples debate está prestes a ganhar proporções absurdas em uma verdadeira sessão psicológica que fará daquele talvez o pior dia de suas vidas.

Papum: Sendo fã do cineasta Polanski, foi com bastante curiosidade que decidi conferir "Deus da Carnificina", especialmente pelo elenco reunido na montagem do filme. Ao assistir o longa, então, a impressão que fica é justamente a que tinha inicialmente: Polanski entende as personagens que tem em mãos e o talento de seus artistas, agindo como intermediador o tempo inteiro para uma interação realmente interessante entre seus atores, cuja competência já foi provada há muito tempo. O resultado é um filme inteiramente humano de alto nível de trivialidade que não deve provocar gargalhadas, mas sim honestos e sinceros sorrisos com sua atmosfera de confinamento e os caminhos inusitados percorridos por suas personagens.

Trabalhando com um enredo puramente construído por diálogos que muitas vezes beiram o cinismo e a ironia, "Deus da Carnificina" posiciona suas personagens aparentemente civilizadas em uma discussão pré-pensada que nenhum deles gostaria de ter, mas um falso senso de moralismo os obriga a realizar. A tensão entre os pais existe e é quase palpável, fato que inevitavelmente acaba fazendo com que formalidades logo sejam deixadas de lado para que ataques de nervos e críticas incessantes sejam disparadas por todos os cantos do apartamento dos Longstreet, revelando assim grotescas falhas de caráter dos quatro adultos e fazendo cair as máscaras que cada um deles veste com muito esforço. É interessante observar como a tentativa formal de um acordo contrasta com o impulso das personagens e até mesmo como seus filhos haviam resolvido o conflito entre eles: sendo crianças, bastara Ethan chamar Zachary de dedo-duro para Zachary acertá-lo e assim terminar seu pequeno embate. No mundo adulto, as coisas não podem ser assim, e as regras de civilização constantemente impostas pela sociedade tem um peso sobre as personagens em cena, ainda que sejam estúpidas, como pensa o irônico Alan, interpretado pelo ótimo Christoph Waltz. 

Também merece destaque a construção de estereótipos realizada por Polanski a partir do nível social de suas personagens e como isso inevitavelmente faz parte do conflito abordado. Representando a classe alta e sempre bem-vestida, Alan é o executivo sempre atarefado cuja vida se atrela ao celular e seu trabalho, enquanto sua mulher Nancy é uma investidora igualmente poderosa que, como muitas mães, apenas finge se importar com questões familiares. Do outro lado, representado a classe média e trajando roupas mais casuais, o retrato montado repousa sobre Michael, trabalhador comum dono de um serviço de peças que finge ser hospitaleiro e sua esposa Penelope, escritora metódica e bipolar sempre on edge atrás de uma máscara de organização e sensibilidade. O resultado diverte e mostra com eficiência a estranha incompatibilidade entre os dois núcleos, que não mede palavras um contra o outro quando um pouco de bebida faz caírem as máscaras e aflorarem os pensamentos. Nessa nota, é interessante notar como a personagem de Waltz é a única que não altera seu comportamento depois de beber, mostrando que a arrogância e antipatia que tinha antes eram intrínsecas e não sentimentos suprimidos, fazendo dele talvez a personagem mais autêntica entre os quatro.

Agora 'nuff said. Continuem a seguir o blog e até a próxima!

 ***

In a nutshell:

- Deus da Carnificina -
Thumbs Up: grande elenco em ótima sintonia; confinamento de espaço muito adequado para a construção de tensão social; humor ácido e direto; destruição de máscaras divertida e inevitável;
Thumbs Down: mesmo alteradas, personagens se limitam no uso de um linguajar mais pesado, prendendo um pouco suas discussões; falta de elaboração na conclusão da trama;

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Where the Wild Things Are

Autor e artista: Maurice Sendak
Ano de publicação: 1963

***

Yo! How's it going?

Nesta primeira postagem de novembro, trago a vocês o livro ilustrado "Where the Wild Things Are", publicado por aqui sob o nome "Onde Vivem os Monstros", obra clássica da literatura infantil dona de muitas premiações e até mesmo adaptada ao cinema por Spike Jonze em 2009. Let the wild rumpus start!

Plano de fundo: Trajando sua fantasia de lobo, Max apronta travessuras em sua casa e é castigado por sua mãe, tendo que voltar a seu quarto sem poder jantar. Dentro das paredes de seu pequeno território, porém, árvores crescem e um mundo selvagem se revela para ele, conduzindo-o por uma jornada até uma misteriosa floresta habitada por criaturas estranhas e peludas que nele encontram a figura de um rei.

Papum: Assim como o que ocorreu em "The Houdini Box", ler uma obra infantil como "Where the Wild Things Are" é uma doce viagem de volta à infância e toda a inocência que o período remete. Aventuras e morais são construídas de modo tanto a cativar quanto ensinar os leitores sobre o mundo que os cerca e o que eles sabem sobre si mesmos, reflexão altamente produtiva que garante um crescimento atento e valoroso, se bem interpretado por adultos. Pois bem, é justamente nisso que "Where the Wild Things Are" se apoia e se engradece.

Partindo de uma narrativa simples de pouquíssimas frases, e usando ainda algumas repetições na descrição de trejeitos de suas personagens, Sendak desenvolve seu elenco de modo rápido para que seu protagonista logo seja inserida no contexto fantástico que o espera. Qualquer criança pode se relacionar com a figura de Max e suas malcriações, criando assim uma sólida conexão com leitores mirins que, embora o próprio Sendak negasse ao  dizer que não escrevia para crianças porque não acreditava em infância, acaba predominando e atraindo o público infantil como grande alvo de seu trabalho.

Quando Max é castigado e assim enviado ao lugar onde monstros predominam, entra em cena o verdadeiro valor da obra e seus planos mais interessantes. Turrão e travesso, o menino inverte o jogo contra as criaturas que o cercam e acaba por domá-las, tornando-se assim o rei para poder fazer as malcriações que quiser. Nesse sentido, os monstros refletem sua personalidade e realmente causam barulho, divertindo-se como querem sem limite algum de tempo ou situação. O mais interessante, contudo, é observar como Max não só sente falta de sua mãe como assume sua figura perante os monstros, enviando-os para cama sem direito algum a jantar. Assim como ele reagira a sua mãe, os monstros reagem a sua ordem, já que nada mais são do que suas próprias facetas, e logo Max se vê retornando ao aconchego de sua casa e a presença de sua mãe, que contrariando o que dissera, deixara sim alguma coisa para Max em seu quarto. O crescimento da personagem é notável e o modo como passa a compreender suas próprias ações é concluído de modo direto e preciso, fazendo-o entender as consequências de seus atos assim como o amor incondicional provido por sua mãe, que mesmo nos tempos mais difíceis do menino, continua a amá-lo do mesmo jeito.

Em uma nota mais artística, merece comentários a arte bonita e contornos simples de Sendak  nas visualizações da história por ele desenvolvida. É certamente intrigante ver como seu trabalho influenciou Brian Selznick e uma série de outros autores infantis pelas décadas que se seguiram, e o jogo de cores por ele abordado é não só vívido quanto sutilmente adequado  às projeções por ele abordadas. Assim como no trabalho de Selznick, Sendak ainda faz muito uso de hachuras na construção de seus cenários, e agora coloridas, uma nova camada de profundidade é adicionada, sendo capaz de prender pequenos leitores de modo eficaz e consistente. Nesse sentido, então, "Where the Wild Things Are" é um livro recomendadíssimo para crianças e pais alike, abrindo espaço para atividades criativas e discussões conceituais altamente produtivas nos processos de educação e crescimento tanto parental quanto escolar de qualquer um que entenda a bonita mensagem que o livro quer mostrar.

Agora 'nuff said. Continuem a acompanhar o blog e até a próxima!

***

In a nutshell:

- Where the Wild Things Are -
Thumbs Up: arte e enredo de Sendak; espaço para reflexões e trabalhos com valores importantes na educação infantil; conexão entre leitores e personagens; boa sonoridade e escolha de palavras na construção de seus planos;
Thumbs Down: -----      

terça-feira, 30 de outubro de 2012

The Unwritten Vol. 2 - Inside Man

Autor: Mike Carey
Artista: Peter Gross

***

Yo! How's it going?

No texto de hoje, volto a falar sobre minha série em quadrinhos favorita na atualidade: "The Unwritten", incrível projeto do escritor Mike Carey em conjunto com o competente desenhista Peter Gross. Quem quiser saber mais sobre o título pode acessar minha postagem sobre o primeiro arco da série, "Tommy Taylor and the Bogus Identity", antes de se aventurar nos terrenos de sua sequência, aqui relatada após uma releitura feita especialmente para o blog, uma vez que acompanhei a obra pela primeira vez quando ela foi publicada no final de 2010. On to it, then!

Plano de fundo: Encurralado pela polícia ao ser o único sobrevivente do massacre na mansão Villa Diodati, Tom Taylor é transportado para a França e encarcerado na prisão Donostia sob pesadas acusações de homicídio. Ao seu lado está Richie Savoy, outro prisioneiro em transferência que não demora a fazer amizade com Taylor. A presença do jovem na penitenciária, contudo, atrai consigo grande atenção da mídia e qualquer deslize pode custar caro à imagem de Donostia e seu regulador, o durão oficial Chadron.

Paralelamente, movendo-se pelas sombras, forças misteriosas planejam invadir Donostia e eliminar Tom Taylor antes que seu potencial mágico aumente. O que elas não sabem, no entanto, é que os poderes de Tom começam a se manifestar rapidamente, e uma abordagem sutil já não está mais em pauta: para destruí-lo, será necessária uma iniciativa pesada e inescrupulosa que tomará a vida de qualquer inocente em seu caminho, e tal jornada pode enfim fazer despertar o arqui-inimigo de Tommy Taylor no mundo real de uma vez por todas.

Papum: Partindo do ponto onde "Tommy Taylor and the Bogus Identity" nos deixou, Mike Carey trabalha aqui a maneira como o mundo passa a enxergar Tom Taylor depois da terrível chacina realizada na mansão Villa Diodati. Assim sendo, o autor volta a fazer uso de quadros que remetem a fóruns virtuais e entrevistas com psicólogos para nos dar uma pitada de opinião publicada sobre Tom, e a discussão é válida: o que seria do mundo se Harry Potter não só provasse existir, mas se tornasse um criminoso? A premissa é muito interessante e amplamente explorada por Carey, tendo seu maior reflexo abordado através do regulador de prisão Claude Chadron, cujos filhos são simplesmente fascinados pelas aventuras de Tommy Taylor. Chadron detesta Tom por considerá-lo um usurpador de uma personagem amada pelas crianças e corrompê-la ao se tornar um criminoso, e a relação entre Chadron e seus filhos é intensa: participativo, ele faz tudo que pode para preservar a inocência das crianças ao participar de jogos teatrais relacionados a Tommy Taylor. Fazendo isso, ele próprio se refugia em um mundo doce onde o bem sempre vence o mal, mesmo que não entenda as consequências que isso tem em seus filhos, e em especial em Cosi, sua primogênita. A menina desenvolve tendências de psicose que a impossibilitam de discernir realidade de fantasia, legado do gênero literário frequentemente discutido entre especialistas. Tais subtramas só enriquecem a narrativa central e contribuem para uma conclusão tanto dramática quanto emocionante do primeiro enredo.


Igualmente efetiva é a jornada de "Inside Man" ao colocar Tom Taylor, Richie Savoy e Lizzie Hexam dentro de uma Stuttgart pronta para a Segunda Guerra Mundial. A habilidade de Peter Gross atinge seu ápice aqui, e Carey sabe perfeitamente como explorá-la. Através de visões do Jüd Suss (livro escrito por um alemão judeu ironicamente usado como inspiração para o filme mais anti-semita da história), Tom conhece o poder de distorção ao qual toda história está sujeita, levando-o a uma surpreendente descoberta com relação não só a seus poderes, mas a seu misterioso pai. Os quadros são belos e a arte-final impecável nas mãos de Jimmy Broxton, elevando ainda mais o alto patamar de referências estabelecido pelo título em cada um de seus capítulos. Entendê-las é uma tarefa que traz satisfação e uma ótima sensação de aprendizado aliado a divertimento, marca característica de outros grandes trabalhos do mundo dos quadrinhos. Nessa nota, também ganham destaque as mais uma vez brilhantes capas feitas por Yuko Shimizu, marcando presença em sua participação tão pontual dentro da série. O que resta, então, é o ímpar despertar de curiosidade que assola o leitor ao término de "Inside Man", interesse esse sabiamente explorado em volumes posteriores.

Agora 'nuff said. Sigam o blog e não deixem de acompanhá-lo!

***

In a nutshell:

- The Unwritten Vol. 2 - Inside Man -
Thumbs Up: ótimo desenvolvimento de personagens centrais e adições ao elenco central; olhar interessante e profundo sobre o reflexo de perversão de uma obra através do arco Jüd Suss; mudança de focos narrativos eficiente; arte de Peter Gross vive todo seu potencial; abordagem sensível da distinção entre fantasia e realidade sob olhares infantis e adultos;
Thumbs Down: -----

domingo, 28 de outubro de 2012

Precisamos Falar Sobre o Kevin

Direção: Lynne Ramsay
Roteiro: Lynne Ramsay e Rory Stewart Kinnear
Elenco: Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller

***

Yo! How's it going?

Hora de mais uma pitada de cinema aqui no blog Streampunk. A película da vez é o drama "Precisamos Falar Sobre o Kevin", baseado na obra homônima da escritora e jornalista norte-americana Lionel Shriver.

Plano de fundo: Eva Khatchadourian (Tilda Swinton) é uma mulher taciturna e problemática marcada por feridas profundas deixadas por seu filho Kevin (Ezra Miller). Vivendo cada dia sem expectativa alguma, ela caminha entre sua dura realidade e as memórias familiares que tenta interpretar para entender o que de fato houve de errado com o menino, jornada essa que invariavelmente a fará entender o que também houve de errado com ela mesma e os motivos por trás da crueldade aparentemente incurável de Kevin.

Papum: "Precisamos Falar Sobre o Kevin" é um filme forte e intenso marcado por ótimas atuações de Tilda Swinton e Ezra Miller dentro de um enredo semi-linear repleto de flashbacks de fácil assimilação e interpretação, ainda que exija um pouco de atenção de seus espectadores. O resultado do trabalho realizado oferece um tom dramático que não deve agradar a todos, mas certamente é competente em seu propósito e deve assombrar a mente daqueles mais impressionáveis ou simplesmente puritanos por natureza. Having said that, é justamente na construção de seu elenco que a película brilha.

Eva é uma personagem complexa e depressiva cuja vida atual contrasta com seu passado energético e agitado de aventureira. Nesse ponto, Tilda faz um trabalho memorável ao realizar a transição da protagonista entre os períodos de sua vida e seus reais conflitos, desde sua juventude carefree à sua gravidez indesejada e o resultado final da crueldade de seu filho Kevin. O jeito peculiar como cuida de seu primogênito e o fardo que carrega no presente oferecem conteúdo e material o suficiente para Tilda justificar suas indicações a prêmios através de uma atuação incrível, funcionando perfeitamente na tentativa de tentar explicar ao espectador o que pode ter levado Kevin a realizar seu terrível ato niilista. Nessa nota, a estratégia da diretora escocesa Lynne Ramsay de sobrepor a cor vermelha em todos os tempos narrativos de sua protagonista é pontual e impactante, construindo no imaginário do espectador teorias sobre a violenta realização de Kevin até que ela seja de fato consumada no clímax do filme. A escolha de abertura com o festival espanhol La Tomatina, por exemplo, marca um forte início para a escolha em questão, oferecendo já de cara um ótimo insight sobre Eva que se estende por suas realidades pontuadas por objetos, luzes e roupas vermelhas onde e quando quer que esteja. Igualmente interessante é o jeito com que Ramsay filma suas cenas mais felizes em flashbacks trêmulos e desfocados que contrastam com a solidez e fixação de suas construções pessoais, estratégia eficaz para retratar como as memórias mais leves de Eva perdem a força diante dos vis acontecimentos desenrolados.

Ainda em atuações, tanto Ezra Miller (cujo trabalho em "As Vantagens de Ser Invisível" também é ótimo) quanto o pequeno Jasper Newell merecem elogios ao retratar o cruel e malicioso Kevin tanto em sua adolescência quanto infância, respectivamente. A leitura de suas atitudes é difícil por sua imprevisibilidade natural, abrindo espaço a ótimos diálogos com a personagem de Swinton que impressionam com seu tom desafiador e por vezes impessoal. As nuances de humor de Kevin e o jeito sádico como a criança prefere ser tratada oferecem uma profunda reflexão no processo de educação de um filho e um olhar curioso sobre a construção da maldade, aqui tratada não como algo imposto pela sociedade onde estamos inseridos, mas por falhas de caráter absolutamente intrínsecas em nosso ser. O que falta nesse cenário, então, é uma interação um pouco maior entre as personagens descritas e o marido de Eva e pai de Kevin, Franklin (John C. Reilly), cuja participação acaba limitada demais para uma figura paterna que se mostra curiosamente presente enquanto está em cena.

Por fim, outro elemento que chama a atenção em "Precisamos Falar Sobre o Kevin" é o distanciamento de Ramsay das cenas de violência mais explícita depois de arquitetar suas construções. Embora pessoalmente prefira violência psicológica à violência visualmente fortes, entendo que a escolha da diretora pode desagradar os espectadores sedentos de uma abordagem mais crua, mesmo que não estejam exatamente atrás de algo gory. Afinal, todas as menções e linguajar estão ali, levando o espectador a se perguntar se Ramsay optou por suas abordagens por preferências pessoais ou simplesmente por não saber como construir tais cenas de um modo justo para sua película. A dúvida é pertinente e legal de ser analisada, ainda que sua resposta possa vir apenas acompanhando o futuro dessa promissora diretora escocesa.

Agora 'nuff said. Continuem a acompanhar o blog e até a próxima!

***

In a nutshell:

- Precisamos Falar Sobre o Kevin -
Thumbs Up: atuações de Tilda Swinton e Ezra Miller; diálogos dramáticos de grande acuidade; forte discussão sobre caráter formado e caráter intrínseco; forte jogo de cores de Ramsay;
Thumbs Down: falta de profundidade na personagem de John C. Reilly; distanciamento e corte de cenas agudas podem desagradar alguns espectadores; 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

The Unwritten Vol. 1 - Tommy Taylor and the Bogus Identity

Autor: Mike Carey
Artista: Peter Gross


***

Yo! How's it going?

Desde o início do blog Streampunk tenho aguardado ansiosamente as postagens relativas à minha série em quadrinhos favorita ainda em publicação: "The Unwritten", escrita e desenhada pelos ingleses Mike Carey e Peter Gross respectivamente. O que me impedia de abordá-la aqui no blog, contudo, era o fato de ter começado a leitura do título há quase dois anos, logo quando a coleção começou a ser publicada nos EUA. Assim sendo, esperava escrever sobre ela a partir do recém-lançado sexto volume do projeto, tal como fiz com "The Sandman" e "Fables". Recentemente, no entanto, ao saber que a Editora Panini publicará a série sob o nome "O Inescrito", mudei de opinião e resolvi discorrer sobre o título após realizar a releitura de seus seis arcos publicados até agora só para trazê-los com maior competência e exclusividade a vocês. Sit back and enjoy, porque "The Unwritten" é uma jornada simplesmente incrível dentro do mundo da literatura tanto fantástica quanto puramente clássica que vale a pena.

Plano de fundo: Não há ninguém no mundo que não conheça o nome Tommy Taylor. Protagonista de treze livros infanto-juvenis de sucesso estrondoso, há anos o bruxinho carrega uma verdadeira legião de fãs simplesmente apaixonados por suas aventuras mágicas escritas pelo autor Wilson Taylor. Isso não significa, porém, que seu legado seja unânime: para Thomas Taylor, filho de Wilson na qual seus livros se baseiam, a personagem sempre fora um estorvo, frequentemente impedindo-o de viver sua própria vida. Para piorar, Tom ainda carrega consigo a marca do súbito e inexplicável desaparecimento de Wilson, ódio que custa a cessar ao mesmo tempo em que o prende ao trabalho de seu pai.

Seguindo mais uma vez a monótona rotina de circuitos de eventos temáticos Tommy Taylor, o que espera Tom novamente são centenas de autógrafos, fotografias e boas doses de frustração. Isto é, até uma estranha estudante chamada Lizzie Hexam indagá-lo publicamente sobre sua verdadeira conexão com os Taylor. Subitamente abalado e polemizado, então, Tom embarca em uma viagem para saber mais sobre seu passado e sobre quem realmente é, iniciando assim uma jornada que pode ter revelações incríveis: seria ele o verdadeiro filho de Wilson ou a complexa materialização da personagem Tommy Taylor? O tempo urge, e nas sombras de seus questionamentos, figuras misteriosas começam a colocar em ação um fantástico plano que pode destruir completamente o rapaz e mostrar ao mundo o verdadeiro poder e uso real da ficção.

Papum: "The Unwritten" é uma verdadeira joia dos quadrinhos modernos. Dinâmica, criativa e inteligente, a série tem conquistado grande espaço na mídia em questão e é apontada por muitos como o melhor título em andamento na atualidade. Sou obrigado a concordar em gênero, número e grau com aqueles que pensam assim: as aventuras de Tom Taylor não só são intrigantes como refletem e misturam um mundo inteiro de referências literárias e as conecta sobre um mesmo tear de acontecimentos de modo incrivelmente sensível. Não são centenas de alusões indecifráveis que estão em cena (vide "A Liga Extraordinária"), mas sim um número bem menor que parece muito mais pontual e até mesmo coerente.

Primeiramente, como qualquer um pode ter notado, a popular personagem Tommy Taylor é baseada na famosa figura de Harry Potter tanto física quanto literariamente. Afinal, ele também estuda em uma escola de magia, é acompanhado por dois amigos (Peter Price, referência à Ron Weasly, e Sue Sparrow, a Hermione Granger da série) e frequentemente combate o cadavérico Conde Ambrosio (ou Lord Voldemort, se preferirem). Mike Carey é brilhante ao trazer segmentos dos "livros" de Tommy Taylor dentro de sua história, usando camadas narrativas dignas dos maiores autores de quadrinhos dos últimos anos (vide o arco "World's End" de "The Sandman"). A construção de tais personagens é forte tal qual o fez J.K. Rowling, contando ainda com estratégias precisas para tornar plausível o fato de Tommy Taylor ser tão famoso: há sonoridade nos nomes, cicatrizes mágicas, bichos de estimação fantásticos e até mesmo filosofia em cada um de seus volumes fictícios. Com um desenvolvimento tão bom, é até surpreendente que Tommy Taylor seja apenas secundário na trama, que segue o verdadeiro e adulto Thomas Taylor e o ódio que ele carrega da criação de seu pai, remetendo-nos instantaneamente à figura de Cristopher Robin, filho de A. A. Milne (autor dos livros Winnieh the Pooh) que por muitos anos criticou publicamente seu pai por ter usado sua figura como protagonista de seus livros e assim roubado sua infância. A mescla é perfeita e qualquer um que goste de literatura é instantaneamente prendido ao trabalho de Carey como poucas vezes vivenciei, dando início a uma montanha-russa de acontecimentos que ganham dimensões incríveis.

Seguindo o ponto de partida introdutório e tendo seu conflito iniciado ao questionar a identidade de seu protagonista, "The Unwritten" leva Tom atrás de pistas que podem solucionar seu passado. O que vemos então é mais um jogral de referências formidável que leva a personagem ao lugar onde seu desaparecido pai escrevera os livros Tommy Taylor: a mansão Villa Diodati, mesmo casa onde John Milton tivera a ideia para "O Paraíso Perdido" (argumento fictício) e Mary Shelley criara "Frankenstein" (argumento factual), obras de importância ímpar na história da humanidade. O que o espera ali, no entanto, são tanto revelações quanto perigos, já que a temível organização conhecida como Cabala está atrás dele. Tais motivos são revelados posteriormente, é claro, mas o que fica em "Tommy Taylor and the Bogus Identity" é a sensação de que algo realmente sólido fora construído, o que posso adiantar que realmente é afirmado no decorrer da série, fazendo sua leitura simplesmente obrigatória para qualquer fã de fantasia.

Ao término do último capítulo do arco, entra em cena um competente one-shot sobre a vida de Rudyard Kipling (autor de "Os Livros da Selva", protagonizado por Mogli) e seu envolvimento com a misteriosa cabala que séculos depois incomodaria Tom Taylor. Diversos autores renomados participam do ótimo enredo (em especial Oscar Wilde e Mark Twain), misturando acontecimentos factuais como a prisão de Wilde e morte dos filhos de Kipling com elementos conectados à terrível Cabala. O resultado é incrivelmente potente, e a conexão entre suas reviravoltas e Wilson Taylor é precisa e marcante, abrindo espaço para um incrível potencial narrativo que a série realmente não desperdiça em seus volumes posteriores. But more on that later.    

Em uma nota final, ficam também elogios não só a Mike Carey, mas à arte simples e precisa de Peter Gross. Sua escolha como desenhista é pontual, muito influenciada pelo fato de o artista ter trabalhado com a série "The Books of Magic", mas aqui seu trabalho é ainda melhor do que durante a série criada por Neil Gaiman. Quadros relativos aos livros de Tommy Taylor remetem verdadeiramente a livros, enquanto a narrativa é feita de modo mais convencional, ainda que abra espaço para discussões virtuais sobre os acontecimentos da trama através de janelas de internet e fóruns fictícios no meio do enredo, estratégia muito usada por Frank Miller e seus quadros televisivos em "O Cavaleiro das Trevas". Por tudo isso, então, não deixe de conferir "O Inescrito" quando seu lançamento acontecer, e prepare-se para uma jornada única dentro do mundo da metalinguagem e metaficção.


Agora 'nuff said. Começo aqui minhas postagens sobre "The Unwritten" que devem ocupar bastante o blog nos próximos dias, mas faço a releitura com muito prazer e consideração. Há 2 anos a série me conquistou e tem me impressionado com sua engenhosidade, então fico feliz de reler seus volumes para abordá-los aqui no blog. Continuem a seguir a página e até a próxima!

***

In a nutshell:

- The Unwritten Vol. 1 - Tommy Taylor and the Bogus Identity -
Thumbs Up: enredo engenhoso repleto de referências inteligentes; alusões perfeitas na construção de seu elenco de personagens; camadas de histórias de Carey que impressionam; arte pontual de Peter Gross; criatividade em estilos narrativos que é sempre acentuada durante a série; personagens mágicos extremamente reais;
Thumbs Down: -----

terça-feira, 23 de outubro de 2012

O Homem que Mudou o Jogo

Direção: Bennett Miller
Roteiro: Steven Zaillian e Aaron Sorkin
Elenco: Brad Pitt, Jonah Hill, Phillip Seymour Hoffman

***

Yo! How's it going?

Hora de mais cinema aqui no blog Streampunk. Depois de escrever sobre o excelente "As Vantagens de Ser Invisível" (em cartaz no cinemas), trago a vocês "O Homem que Mudou o Jogo", película estrelando Brad Pitt que recebeu seis indicações ao Oscar deste ano, nelas incluídas as categorias de melhor filme, melhor ator principal (Brad Pitt) e melhor ator coadjuvante (Jonah Hill).

Plano de fundo: Billy Bean (Brad Pitt) é um ex-jogador de baseball que trabalha como gerente geral da equipe Okland Athletics. Depois de uma ótima temporada em 2001 com sua modesta folha de pagamento, o dirigente encontra um grande problema na reformulação de seu elenco para a temporada seguinte: suas maiores estrelas são negociadas com clubes maiores, e o orçamento dos Athletics continua mais uma vez reduzido.

Viajando pelo país em busca de bons negócios, Bean se depara com Peter Brand (Jonah Hill), um jovem recém-formado em economia na universidade de Yale que tem uma visão peculiar do esporte baseada em estatísticas, performances numéricas e projeções matemáticas. Acreditando piamente no trabalho de Brand, Bean inicia assim uma estratégia polêmica em sua equipe que pode simplesmente mudar a cara do baseball como um todo ou afundá-lo de vez em sua curta carreira.

Papum: Se há alguns que pensam que filmes cujo tema central é o esporte não têm muito mais a oferecer, fico feliz que "O Homem que Mudou o Jogo" tenha, trocadilhos a parte, realmente mudado tal cenário. Afinal, diferente do esperado, o longa não é a típica histórica de jogadores renegados que recebem mais uma chance, tampouco uma história de superação depois de obstáculos quase intransponíveis. "O Homem que Mudou o Jogo" trata de mentalidade esportiva em sua definição mais verdadeira, e o trabalho realizado por Bennett Miller com base no livro "Moneyball" (título do longa em inglês) é pontual e efetivo, digno de almejar premiações como de fato aconteceu.

Logo de início, somos apresentados à personagem Billy Bean através de focos faciais e trejeitos que começam a nos fazer entender sua personalidade. Quando entra em cena seu lado negociador, então, Brad Pitt dá vida à personagem de modo impressionante, e tem início aí uma jornada inesperada que o leva a encontrar um parceiro para mudar as estratégias de administração de sua equipe. Como em qualquer empresa ou mesmo clube esportivo, no entanto, mudar uma filosofia de trabalho estabelecida há tanto tempo não é fácil, e Bean encontra muitos percalços logo de cara. Traçando um paralelo com o cenário futebolístico brasileiro, são dinossauros de mentalidade atrasada que ainda imperam, servindo de bloqueio para que o esporte possa avançar e assim realmente melhorar. Brasileiros ou norte-americanos, dirigentes são irredutíveis em seus conceitos e ideias retrógradas, formando assim o primeiro e maior problema na reestruturação de um clube. Assim sendo, Bean tem que ser insistente e turrão para poder transmitir as ideias nas quais acredita, sendo forçado a eliminar algumas laranjas podres de seu grupo para poder de fato fazer com que seus subordinados comecem a acreditar em seu projeto. O que entra em cena, então, é o compromisso de dois homens com um ideia fixa e sua crença inabalável no que ela pode implicar, mesmo que sua base matemática e estatística seja caçoada por outros e seu trabalho quase ridicularizado.

Auxiliando Brad Pitt em seu caminho está Jonah Hill, ator cujo talento confessor nunca ter valorizado muito. Aqui, porém, não há como ignorar que há foco em seu trabalho ao invés da habitual verborragia irriquieta que o ator costuma demonstrar em quase todos os seus filmes, o que deve sim ser visto com bons olhos. Sua performance não chega a realmente justificar uma indicação ao Oscar, vejam bem, mas é bom saber como o ator pode render muito mais nas mãos de uma equipe mais competente. Somado a isso, Miller demonstra sensibilidade na interação de suas personagens e na montagem de uma trilha sonora eficaz e precisa para seu enredo, além de contar com uma edição verdadeiramente primorosa. Não é de se assustar, então, que o filme foi tão bem aceito lá fora, ainda mais por ser um retrato factual: não só Billy Bean é real como todos os jogadores mostrados já passaram pela MLB (Major League Baseball), ilustrando com verossimilhança a enorme façanha atingida pelo dirigente e seu time há quase uma década. Para saber mais sobre ela, no entanto, abro espaço para que assistam o filme e entendam por si só como é tentar mudar um esporte de dentro para fora, e o insight do mercado esportivo oferecido por "O Homem que Mudou o Jogo" é sem dúvida algo digno de ser observado.

Agora 'nuff said. Continuem a seguir o blog e até a próxima!

***

In a nutshell:

- O Homem que Mudou o Jogo -
Thumbs Up: performances sólidas de Brad Pitt e Jonah Hill; focos faciais de grande expressão e diálogos estruturados; edição e montagem extremamente coerentes; trilha sonora sutil, mas pontual; propósito do filme alcançado com maestria;
Thumbs Down: ----- 

sábado, 20 de outubro de 2012

As Vantagens de Ser Invisível

Direção e roteiro: Stephen Chbosky
Elenco: Logan Lerman, Emma Watson, Ezra Miller, Paul Rudd

***

Yo! How's it going?

Devo confessar que já se passaram alguns meses desde que deixei uma sala de cinema realmente comovido. Vagando entre blockbusters divertidos e películas pseudo-profundas, nada de relevante realmente se apresentou, e assim o segundo semestre de 2012 caminhava. Isto é, até a estreia de "As Vantagens de Ser Invisível", dirigido e escrito por Stephen Chbosky, o próprio autor do livro "The Perks of Being a Wallflower", no qual o longa se baseia. Sem delongas, então, trago um pouco da maravilhosa experiência adolescente que certamente marca este até agora pouco inspirado término de ano por aqui.

Plano de fundo: Charlie (Logan Lerman) é um jovem quieto e retraído que está prestes a ingressar no ensino médio. Sua incomum personalidade, no entanto, é fruto de feridas em seu passado que parecem irremediáveis: a morte de sua tia e o recente suicídio de seu único e melhor amigo.

Contrariando suas próprias expectativas, porém, o que Charlie encontra nessa nova etapa de sua vida é um fim provisório para sua exclusão, tendo nos meio-irmãos Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson) seus primeiros amigos verdadeiros depois de meses de solidão. Juntos, os três agora trilham uma jornada de aprendizado, amor e amadurecimento sexual que pode salvar Charlie de seus fantasmas ou fazê-lo sucumbir diante deles de uma vez por todas.

Papum: Certo, sempre fui um sucker para filmes adolescentes que realmente tratam seus protagonistas com a profundidade e inteligência que merecem. Infelizmente, porém, o que inunda o cinema atual são comédias coming of age que parecem não ter fim em seu apelo sexual, piadas repetidas ou falta de conteúdo. Nesse cenário, então, "As Vantagens de Ser Invisível" é um tesouro que não deve ser necessariamente guardado, mas sim exposto aos quatro cantos para que sua beleza, delicadeza e coração comovam e construam uma juventude sensível para entender seus problemas e corajosa o suficiente para enfrentá-los. Afinal, problemas são justamente o que não faltam na adolescência de qualquer um.

Através de uma narrativa em primeira pessoa altamente pessoal e dinâmica, Charlie realiza uma viagem magistral no processo de reflexão e crescimento adolescente que aborda os problemas mais intrínsecos do período em questão e os posicionam como obstáculo perante os maiores bloqueios do protagonista, uma personagem construída de modo complexo e comovente pelo ótimo Logan Lerman. Assim como muitos, Charlie não é um outcast por opção, mas sim pela maneira como o mundo o enxerga. Seus problemas são muitos, é claro, mas igualmente grande é seu desejo de ser notado, onde encontramos um paradoxo intrigante: enquanto a maioria dos jovens prefere passar despercebida, Charlie anseia deixar seu estado e isolamento, embora não consiga encontrar ferramentas para fazê-lo. É com muita coragem, então, que o garoto deposita suas esperanças no divertido Patrick, símbolo explícito de alegria jovial e prazer em viver. Tal encontro também proporciona a ele conhecer Sam, por quem Charlie se apaixona perdidamente, proporcionando o doce sentimento de infinito que ele jamais sentira. Além do óbvio despertar romântico do protagonista, no entanto, a garota é um poço de indecisão característico de sua idade, onde alegria, dor e medo se mesclam em uma mistura quase palpável e amplamente conhecida por Charlie. Afinal, é com isso que o garoto luta há muito tempo. Assim sendo, a química tanto entre as três personagens quanto entre os três atores é real e convincente, trabalhada com precisão através de diálogos afiados montados pelo ainda inexperiente Stephen Chbosky. Sua competência e compreensão das personagens que tem em mãos gera uma sinceridade e complacência incomuns, e aliados a simples e boas escolhas de ângulos, focos e enquadramentos, recebe ainda mais carisma e valor. Sua escolha de trilha sonora também faz bonito, posicionando suas personagens em tempos menos virtuais e mais pessoais de modo sutil e eficaz, remetendo-nos às décadas de 80 e 90 prontamente. Nesse ponto, ganha destaque a canção "Heroes" de David Bowie, tema principal do longa.

Ainda em temas, a construção do amadurecimento amoroso e comportamental de Charlie passa pelo mote que lhe é ensinado por seu professor de inglês avançado Bill Anderson (Paul Rudd): "aceitamos o amor que achamos merecer". Como em toda vida adolescente, a figura de Anderson não só como educador mas como modelo impulsiona a personagem, ainda que o garoto custe a entender o significado de tais palavras. Somente ao compreendê-las, contudo, é que ele também pode entender melhor a si mesmo, ainda que tenha que lutar contra traumas de infância que insistem em se manifestar. Sendo assim, entra em cena sua sólida família, disposta a ajudá-lo assim como o próprio garoto luta desesperadamente para não sucumbir.

Por todos esses motivos, então, "As Vantagens de Ser Invisível" é altamente recomendado a qualquer apreciador de cinema simples e atmosfera de juventude comovente e reflexiva. É uma pena que a distribuição do filme não contribua com sua divulgação, mas o esforço para vê-lo realmente vale a pena.

Agora 'nuff said. Continuem a acompanhar o blog e até a próxima!

***

In a nutshell:

- As Vantagens de Ser Invisível -
Thumbs Up: desenvolvimento de personagens; performance incrível de seu elenco central, em especial com Logan Lerman e uma Emma Watson agora norte-americana; roteiro afiado e diálogos honestos; humor e drama em uma mistura ideal; dinamismo narrativo e profundidade reflexiva; referências literárias e musicais bem ricas;
Thumbs Down: -----