domingo, 7 de outubro de 2012

Tão Forte e Tão Perto

Direção: Stephen Daldry
Roteiro: Eric Roth
Elenco: Tom Hanks, Thomas Horn, Sandra Bullock, Max von Sydow, John Goodman

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Yo! How's it going?

Depois de ficar ausente por alguns dias, retorno ao blog hoje para falar de cinema: em específico, o longa "Tão Forte e Tão Perto", nomeado ao prêmio Oscar de 2012 nas categorias de melhor filme e melhor ator coadjuvante.

Plano de fundo: Oskar Schell (Thomas Horn) é um garoto tão genioso quanto genial. Dotado de um intelecto incomum e pouca sociabilidade, ele vê em seu pai Thomas (Tom Hanks) mais do que um verdadeiro ídolo e modelo, mas sim um grande e verdadeiro companheiro. Quando o fatídico dia 11 de setembro toma Thomas como uma de suas inúmeras vítimas, o que resta a Oskar é um buraco que parece ser impossível de curar. Isso é, até o menino descobrir uma misteriosa chave dentro de um vaso no closet de seu pai.

Seguindo dicas deixada por Thomas, Oskar embarca em uma viagem pelas ruas de Nova York atrás da fechadura a ser aberta por sua chave recém-encontrada na tentativa de se aproximar de seu falecido pai, conhecendo tanto as histórias daqueles que o rodeiam quanto descobrindo a si mesmo e como sua perda pode ser superada.

Papum: Altamente questionado por sua nomeação para o Oscar deste ano, "Tão Forte e Tão perto" é sem dúvida um filme que se empenha em ser dramático e comovente o bastante para ser merecedor de fulgurar entre os longas mais aclamados do ano. Infelizmente, porém, sua insistente tentativa de impressionar soa um tanto falha e desconexa graças a seu ritmo descompassado e inconstância narrativa, ainda que suas personagens tenham potencial o suficiente para nos fazerem derramar uma lágrima ou duas.

Dirigido pelo já experiente em nomeações Stephen Daldry ("Billy Elliot", "O Leitor"), "Tão Forte e Tão Perto" se apoia na dor de seu protagonista mirim para construir um enredo que sirva de esperança e mensagem de superação relativa tanto a perdas pessoais quanto à ferida sofrida pelos norte-americanos no atentado terrorista de 2001 (diga-se de passagem, o longa foi produzido exatos 10 anos após o incidente). Sua escolha de abordagem de Oskar, no entanto, logo joga contra sua proposta e compromete o andar da mensagem: ao construir sua personagem com um certo senso de autismo, Daldry acaba por distanciar seus espectadores de Oskar e colocar em dúvida o que realmente está em jogo para o menino. Não sabemos ao certo se o garoto sofre mais devido a sua perda ou devido a seus distúrbios repentinos e mudanças de temperamento, técnicas amplamente usadas em Hollywood para adquirir a simpatia de espectadores em relação a personagens principais. Isso não tira o brilho do trabalho do pequeno Thomas Horn, é claro, mas acaba por desvalorizar o conflito do filme e o desenvolvimento de sua personagem, mesmo que dê margem a uma ou duas boas cenas (o desabafo de Oskar ao inquilino de sua avó, interpretado pelo nomeado ao Oscar Max von Sydow, é forte e intenso). Igualmente discutível é a estratégia de fazer de von Sydow um personagem mudo, complicando ainda mais a relação entre ele e Oskar pelo bem do melodrama. Por que apenas um personagem complexado se podemos ter dois?

Having said that, resta ainda o problema de identidade que o filme carrega. Alternando entre  focos pessoais e um trabalho humano mais amplo, "Tão Forte e Tão Perto" não decide qual rumo realmente quer seguir, seja ele o de contador de histórias ou contador de uma história em específico. As cenas e subtramas de Oskar enquanto ele conhece sua cidade a medida que conhece a si mesmo são interessantíssimas (tanto em cores mais vivas como personalidades e histórias únicas), mas a quebra sofrida por elas para malcriações do garoto diminuem seu potencial e desaceleram o bom andar de suas descobertas, resultando em um desenvolvimento não gradual, mas repentino ao final do longa. A emoção está lá, vejam bem, mas não como poderia, e a superação do menino não parece mais um triunfo, mas sim a resolução inevitável de um plano que há muito havia sido traçado.

Agora ´nuff said. Continuem a seguir o blog e até a próxima!

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In a nutshell:

- Tão Forte e Tão Perto -
Thumbs Up: cores e planos na exploração de Nova York e seus cidadãos; atuações de Thomas Horn e Max von Sydow;
Thumbs Down: falta de identidade clara; super-dramatização de seu enredo;    

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

The Rocketeer

Autor e artista: Dave Stevens

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Yo! How's it going?

Mais quadrinhos no blog Streampunk na postagem de hoje! Afinal, tenho em mãos o encadernado com as aventuras completas do ótimo "The Rocketeer", curtíssima série dos anos 80 escrita e desenhada pelo talentosíssimo Dave Stevens, notório por seu trabalho em tiras de "Tarzan" e desenvolvimento de storyboards tanto para longas como "Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida" como para clipes musicais como "Thriller". Stevens faleceu em 2008 vítima de leucemia, 17 anos depois de ver "The Rocketeer" ganhar uma versão em filme nas mãos do diretor Joe Johnston. Como a Disney se prepara para realizar um remake do longa muito em breve, acho extremamente pertinente trazer a vocês um pouco sobre essa ótima história recheada de ação, suspense e um certo clima noir de amplo charme e apelo.

Plano de fundo: Cliff Secord é um piloto de corrida e circo aéreos no lugar errado e na hora errada (ou talvez no lugar certo e na hora certa): é no hangar onde trabalha e dentro de seu avião que um grupo misterioso de criminosos esconde o protótipo roubado de um rocket pack antes de ser capturado pela polícia.

Ao perceber o que tem em mãos, Cliff tem a brilhante ideia de incrementar seu número circense com o uso da tecnologia recém-encontrada, visando assim ganhar dinheiro suficiente para que sua namorada Betty dê um basta em sua vida em Hollywood e contente-se apenas com ele. O que Cliff não sabe, no entanto, é que vestir o foguete pela primeira vez o deixará cara-a-cara tanto com os mais perigosos criminosos da Califórnia como quanto grupos nazistas atrás de sua tecnologia, e suas aventuras podem distanciá-lo de sua amada muito mais do que uni-los. Afinal, ele já tem uma identidade secreta criada pela mídia desde sua primeira aparição: Cliff Secord é o Rocketeer.

Papum: É realmente impressionante como histórias tão curtas e simples podem ser tão magistralmente relevantes e cativantes. "The Rocketeer", ambientado em 1938 e escrito com muita habilidade linguística e artística por Dave Stevens, é sem dúvida uma obra notável por sua capacidade de emoção e diversão, ainda que se caracterize por um estilo de quadrinhos diferente do ritmo atual.

Logo na construção de suas personagens, Stevens faz questão de quebrar estereótipos heroicos ao construir seu protagonista e sua dame de modo diferente: Cliff Secord é egoísta, mesquinho e cabeça-dura. Betty, seu par romântico, é de fato geniosa e um tanto quanto interesseira, ajudando na construção da problemática entre os dois e posicionando-os longe da relação que outros heróis têm com suas respectivas amadas. Sendo assim, não é altruísmo que faz Secord virar o Rocketeer, e sim seu enorme interesse em ganhar dinheiro rápido para tornar Betty somente sua. Assim sendo, Rocketeer não caracteriza-se como um herói do povo; ao contrário disso, Secord só veste sua roupa e capacete quando é sua própria pele que está em perigo, seja direta ou indiretamente. No final do dia, então, ao invés de resoluções, o que temos são mais problemas gerados pelo enorme senso de orgulho da personagem, que reluta em abrir mão de sua teimosia.


Pois bem, levando tudo isso em consideração, Stevens também joga alto em "The Rocketeer" ao construir uma obra visualmente impecável. Seu lápis é claro e preciso, suas expressões faciais simplesmente deslumbrantes. Famoso por contornos femininos, Stevens também constrói aqui talvez seu maior ícone sexual em quadrinhos na forma de Betty, verdadeiramente impressionante em toda a sua sensualidade. A coloração recente de Laura Martin também é rica e enche de vivacidade o trabalho de Stevens, mas é no alto número de quadros sequenciais e clima de suspense que a obra deslancha. O uso de figuras de linguagem e trejeitos linguísticos da época de ambientação do enredo também contribuem com a riqueza do projeto, o que certamente deve morrer com qualquer tradução que "The Rocketeer" possa ganhar. Mesmo assim, ainda há ingenuidade no enredo tão adulto da obra, e é divertido observar que mesmo um desenhista tão bom quanto Stevens não consegue abandonar o medo de que seus leitores não entendam algumas de suas sequências, levando-o a fazer suas personagens descreverem o que estão fazendo com certa frequência, técnica muito usada na Era de Ouro e começo da Era de Prata dos quadrinhos. No fundo, então, se considerarmos que a história de Secord se passa justamente no final da década de 30, talvez a estratégia tenha sido proposital, uma forma de homenagear a época em questão. Afinal, referências históricas também estão lá, e no maior estilo Indiana Jones, grupos nazistas marcam presença atrás de Secord e seu rocket pack, a incrível arma que pode muito bem mudar o destino da iminente Segunda Guerra Mundial.

Em uma nota final e mais contemporânea, qualquer fã de "Ultimate Spider-man" ficará surpreso com a similaridade física entre o Peter Parker de Mark Bagley e Cliff Secord de Dave Stevens. Os dois têm contornos faciais e construção parecidíssimos, o que pode muito bem significar que Bagley usou o trabalho de Stevens como base para seu design da personagem.

Agora 'nuff said. "The Rocketeer" é uma obra divertida e cativante, recomendadíssima para qualquer fã de quadrinhos por aí. Para finalizar, então, deixo vocês com o trailer do filme de 1991 baseado nela, estrelando Bill Campbell, Jennifer Connely e Timothy Dalton. Mesmo que não seja exatamente fiel ao enredo ou personalidade de sua fonte, o longa "The Rocketeer" é divertido e muito bem feito para sua época, então não deixem de conferi-lo!

LINK: http://www.youtube.com/watch?v=Gi0Et31E7s4


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In a nutshell:

- The Rocketeer -
Thumbs Up: arte impecável de Dave Stevens; ambientação do enredo; maneirismos e sotaques bem trabalhados; personagens complexas e humanas; clima noir digno de grandes filmes gangsteres de época; inocência narrativa divertida e cativante;
Thumbs Down: -----

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Retalhos

Autor e artista: Craig Thompson

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Yo! How's it going?

Como não podia deixar de ser, volto às origens do blog Streampunk no assunto de hoje: a Graphic Novel "Retalhos", escrita e desenhada pelo norte-americano Craig Thompson, que em 2004 venceu tanto os prêmios Harvey quanto Eisner de Histórias em Quadrinhos em diversas categorias, incluindo melhor álbum, roteirista e artista. Agradeço a Juliana e Alex por terem me emprestado esse incrível encadernado e propiciado uma leitura tão divertida. 

Plano de fundo: Craig Thompson é certamente um garoto confuso: criado por pais cristãos fervorosos em uma cidadezinha de Wisconsin, sua realidade é pontuada por dilemas e pensamentos que flertam entre a supressão e reflexão conforme o garoto amadurece e começa a entender melhor o mundo que o cerca. Isso traz grandes consequências a ele, é claro. Afinal de contas, lá fora há tentação, desejo e pecados. Mas lá fora também há amor.

Tendo como o centro de sua vida seu primeiro e mais puro contato com a paixão, Craig nos narra de forma sensível e quase poética as reviravoltas que marcam seu amplo crescimento, levando-nos a uma reflexão tanto religiosa quanto pessoal que é tão ingenuamente bonita quanto sinceramente dolorosa.

Papum: Abrir uma coletânea tão premiada como "Retalhos" é certamente arriscado devido a incríveis expectativas que inevitavelmente acabam sendo geradas. Ao encerrar o ciclo de leitura da obra, no entanto, a sensação latente abrange mais do que satisfação: sim, Craig Thompson é merecedor de seu sucesso, e sua obra quase auto-biográfica é realmente estonteante.

Com sua arte cartunesca em preto e branco e grande criatividade em extrema harmonia, Thompson realiza um trabalho impressionante cuja vivacidade só é vencida pela engenhosidade de seus quadros e clareza de seus contornos. Misturados de modo incrivelmente artístico, os dilemas de sua personagem (ou melhor, dele mesmo) ganham um olhar emotivo e altamente simbólico entre diálogos afiados e projeções fantasiosas, realizados a partir de transições de quadros verdadeiramente invejáveis a qualquer aspirante a quadrinista como eu. Seu preenchimento de espaço e ângulos narrativos também promovem um dinamismo constante, renovando o ar de seu enredo com frequência para oferecer ao leitor um verdadeiro banquete visual.

Aliado a isso, então, as indagações de Craig e o caminho que abre sua mente são igualmente significativos. Desde pequeno, o menino receia que seus atos ruins recebam uma punição divina algum dia, e qualquer forma de pecado que ele comete é tido por seus pais como um profundo desapontamento. Tal conflito acaba por posicionar Craig entre dois mundos: aquele construído por seus pais, e aquele além das portas de sua comunidade religiosa. A transição entre eles é lenta e gradual, e exige que Craig vivencie uma série de eventos para que as doutrinas tão rigorosas que lhe foram passadas comecem a ceder, como realmente acontece. A responsável por isso é a garota Raina, quem ele conhece em um acampamento religioso. A por vezes confusa relação entre os dois, apesar de jovial e até certo ponto ingênua, leva Craig a questionar a autenticidade de tudo aquilo que lhe foi dito, e Thompson é corajoso em seus quadros de cunho um pouco mais religioso: afinal, como pode Craig tomar como a verdade de Deus livros como a Bíblia, altamente interpretativos e constantemente alterados pelo homem com o passar das décadas? A semente do questionamento está aí, e muito do que o garoto tratava como pecado agora é sua fonte de alegria e calor. Nessa linha, então, como pode seu desejo e amor serem um pecado?


Em uma nota final, vale também destacar os flashes temporais que Thompson usa para construir sua narrativa. Alternando entre a infância e adolescência de Craig para ilustrar sua mudança de mentalidade, podemos conhecer a fundo a rígida relação com seus pais e a forte relação dele com seu irmão Phil, cujos conflitos variam de abusos infantis a inocentes viagens pelo mundo da imaginação das duas crianças. Sendo uma obra tão completa em tantos níveis diferentes, não é de se espantar que "Retalhos" tenha chegado onde chegou, e agora aguardo ansiosamente por ler mais trabalhos de Craig Thompson.

'Nuff said. Sigam o blog e continuem a acompanhá-lo. Há muito coisa bacana por vir este mês, então fiquem ligados!




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In a nutshell:

- Retalhos -
Thumbs Up: arte e escrita de Craig Thompson; transição criativa entre cenas e quadros; inventividade na abordagem de seu simbolismo; preenchimento e angulação de suas sequências; traços claros e fortes;
Thumbs Down: -----

domingo, 30 de setembro de 2012

Looper: Assassinos do Futuro

Direção e roteiro: Rian Johnson
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Bruce Willis, Jeff Daniels, Paul Dano, Emily Blunt

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Yo! How's it going?

Em minha postagem de hoje, volto a falar sobre cinema aqui no blog Streampunk. A película da vez é a recém-lançada ficção científica "Looper: Assassinos do Futuro", estrelando Joseph Gordon-Levitt e Bruce Willis.

Plano de fundo: Em Kansas City no ano de 2044, Joe Simmons (Joseph Gordon-Levitt) é um dos misteriosos "loopers", assassinos pertencentes a um grupo mafioso que, do futuro de aproximadamente 2074, envia seus alvos para serem eliminados em 2044 para que não sobrem evidências ou quaisquer vestígios de suas mortes no futuro em questão, resultando em uma queima de arquivo simplesmente perfeita.

Quando o próximo alvo de Joe revela-se ser ele próprio trinta anos mais velho (Bruce Willis), tem início uma frenética caçada de vida-ou-morte entre os dois: afinal, Joe tem que eliminar sua versão mais velha, enquanto o velho Joe busca implacavelmente a criança que se tornará o maior chefe do crime em seu futuro, o terrível Rainmaker, responsável pela morte de sua amada. O problema, é claro, é que a organização de "loopers" também está atrás dos dois Joes, e qualquer passo em falso pode significar o fim de ambas as suas existências.

Papum: Escrito e dirigido pelo relativamente desconhecido Rian Johnson (que assim como Tarantino, atém-se a dirigir filmes que ele próprio escreve), "Looper: Assassinos do Futuro" é um longa de ficção científica como não víamos há alguns anos no mercado: sincero, imaginativo e pessoal, além de levemente cyberpunk. Isso não significa que a película pode se juntar aos grandes nomes da ficção-científica de todos os tempos, vejam bem, mas já é um começo em uma época tão carente de histórias novas e interessantes que não sejam absolutamente descartáveis. Pois bem, on to the film, then.

Mais de uma vez li críticos dizerem que "Looper: Assassinos do Futuro" é um filme difícil de ser assimilado, caracterizando-se por um certo nível de complexidade que beire a confusão. Oponho-me a tal opinião por um simples fato: logo de início, somos apresentados aos "loopers" a partir de uma explicação em primeira pessoa simples e direta por parte de Joe, e qualquer espectador atento estará amplamente preparado para o desenrolar da trama from that point on. Isso pode desagradar aqueles que não gostem de filmes auto-explicativos, já que diálogos bem trabalhados poderiam ter a mesma função exigindo que ligássemos alguns pontos por conta própria, mas como há a necessidade por parte dos produtores em Hollywood de que o público entenda a premissa de suas histórias, a estratégia de Johnson é eficaz, embora não muito audaciosa. O que pode confundir alguns, então, é a existência e divergência de realidades, não explicada em detalhes no filme, mas perfeitamente compreensível a qualquer fã de ficção científica que se preze. Não estamos diante de inúmeras linhas do tempo alternativas, como bem poderia ser o caso, mas sim apenas duas: a mainstream e aquela que acaba por ser alterada. A sobreposição das duas é tão breve, contudo, que seu entendimento é perfeitamente possível sem fritar neurônio algum. Afinal, não estamos diante de um cyberpunk de Phillip K. Dick, cujas histórias são amplamente mais complexas. Nessa linha, se alguns dizem que entender filmes como "A Origem" não é grande coisa, entender "Looper: Assassinos do Futuro" também não significa muito. Discordo de tais opiniões e acho errado diminuir o entendimento do espectador quanto a película que estão vendo, mas a analogia é válida. 


Bem, having said that, o que vemos a partir das cenas iniciais também é uma alternância entre ação, perseguições e conversas que dão espaço tanto a tiroteios e mortes quanto ao desenvolvimento de suas personagens, talvez o ponto mais alto da película. Johnson é sensível para entender os momentos visuais e pessoais de seu filme, e a performance de Joseph Gordon-Levitt (perfeitamente maquiado com auxílio de próteses que o deixassem parecido com Bruce Willis) realmente impressiona. Aliás, uma das virtudes de Johnson foi entender a complexidade de Joe e exigir que um bom ator o interpretasse, o que poderia facilmente não ter ocorrido caso o diretor optasse por um ator qualquer que simplesmente parecesse com Bruce Willis. Gordon-Levitt imita trejeitos e maneirismos de Willis convincentemente, dando verossimilhança ímpar à incomum relação entre os dois.

Ainda em uma nota artística, os ângulos de Johnson também são interessantes e contam com enquadramentos bem criativos aqui e acolá, somados ainda há ótimas opções de distanciamento de cena que dão muito mais dramaticidade do que zooms com câmeras trêmulas, como cansamos de ver em Hollywood. Tudo isso, além da alternância entre os focos narrativos Levitt-Willis, necessita de uma boa edição, o que de fato ocorre nas mãos de Bob Ducsay, famoso por seus trabalhos na trilogia de "A Múmia". Resta ao roteiro, então, fazer seu trabalho bem feito, o que de fato ocorre nas mãos de Johnson: há diálogos afiados e engraçados pelo longa, além de singelas homenagens a diversos outros trabalhos de ficção científica que vão de piadas com roupas brilhantes a motos "high-tech" e codinomes de personagens. Tudo é bem estruturado (com exceção do vício de Joe, simplesmente largado em certa altura do filme) e o resultado, como já falei de início, é extremamente honesto, culminando em um clímax satisfatório para a maioria e término sólido. O silêncio da sala de cinema ao fim do filme pode dizer bastante sobre a opinião pública do longa, embora eu não saiba interpretá-lo de modo definitivo: teriam todos gostado ou simplesmente não entendido nada do filme? A dúvida fica, e só o espectador pode respondê-la. 

Agora 'nuff said. "Looper: Assassinos do Futuro" é uma ótima pedida para o fim de semana. Sigam o blog e postem seus comentários sobre o filme aqui mesmo. See ya!  


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In a nutshell:

- Looper : Assassinos do Futuro -
Thumbs Up: roteiro em geral coeso e coerente; clima e atmosfera para a trama;  maquiagem e performance de Joseph Gordon-Levitt; direção firme e inventiva; edição competentíssima;
Thumbs Down: explicações iniciais e principalmente indagações finais, quebrando para muitos a possível surpresa da cena;

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

How I Met Your Mother - Oitava Temporada

Yo! How's it going?

Falar sobre programas de televisão nunca esteve em meu objetivo central para o blog Streampunk. Afinal de contas, não acompanho a mídia com atenção e conheço bem superficialmente os programas de grande audiência na atualidade. Todavia, tendo em vista que as próximas duas semanas marcam o início de diversas novas temporadas de seriados norte-americanos de sucesso pelo mundo, resolvi trazer a vocês um pouco sobre a única série cômica que realmente acompanho com afinco há alguns anos: "How I Met Your Mother", cuja oitava (e provavelmente última) temporada teve início há três dias, em 24 de setembro. 

Plano de fundo: Marshall e Lily tiveram seu bebê, Marvin. Barney e Quinn estão noivos, alheios ao fato de que Robin ainda nutre sentimentos por ele. E Ted... Bem, Ted reencontrou Victoria um pouco antes de ela se casar com o alemão Klaus, e agora ela resolve abandonar o altar para ficar com ele. Sim, meus caros, o cenário novelístico está armado para reviravoltas que podem enfim resultar no encontro de Ted e sua futura esposa, o momento que todos aguardam ansiosamente há 8 anos. 

O que esperar: Quando houve a reforma contratual para a sétima e oitava temporadas do programa, muito se especulou sobre o término da mesma ao final de dito período. Afinal, as carreiras tanto de Jason Segal (Marshal) quanto de Neil Patrick Harris (Barney) parecem ascender continuamente com suas participações em diversos blockbusters, e Cobie Smulders (Robin) também começa a ganhar projeção depois de seu papel no bilionário "Os Vingadores". Recentes boatos, no entanto, parecem sugerir que uma nona temporada poderia ser incluída no projeto, uma vez que "How I Met Your Mother" tornou-se um dos carros chefes da emissora CBS, que não está disposta a perder tanto "Two and a Half Men" quando "HIMYM" ao mesmo tempo. Having said that, há diversas especulações sobre o rumo dessa temporada (SPOILER ALERT): Barney e Robin ficariam juntos novamente, levando seu romance ao altar (como já sugerido no primeiro episódio da temporada); Marshall e Lily decidiriam tanto a babá quanto o padrinho de Marvin, levando a divertidas discussões entre o grupo; Outubro marcaria o término simultâneo de três relações no grupo, começando o caminho que levaria cada um deles ao seu par definitivo; a futura esposa de Ted seria introduzida por flashes em uma estação de trem em quase todos os episódios, até finalmente chegar o momento que eles conversam pela primeira vez na segunda metade da temporada.

Pois é, tudo leva a crer que "How I Met Your Mother" começa a caminhar ao seu fim. No entanto, tanto os produtores quanto criadores da série afirmam que a atriz que interpretará a mulher de Ted ainda não foi escolhida (e quando de fato for, será em absoluto sigilo), mas ninguém afirma ao certo que a história terminará quando ela aparecer pela primeira vez. Resta a nós especular e continuar a acompanhar essa comédia tão criativa quanto sentimental por mais uma temporada, esperando que boas risadas estejam reservadas durante o caminho.

Agora 'nuff said. "How I Met Your Mother" é um dos shows mais populares da atualidade, então gostaria de saber o que vocês acham que pode rolar nesta temporada da série. Deixo aqui alguns links com seus vídeos promocionais:


Não se esqueçam de seguir o blog e até a próxima!  

terça-feira, 25 de setembro de 2012

The Three Stigmata of Palmer Eldritch

Autor: Phillip K. Dick
Ano de publicação: 1965

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Yo! How's it going?

Há cerca de dois meses, trouxe a vocês um pouco sobre "The Man in the High Castle", obra de um dos autores de ficção-científica mais cultuados de todos os tempos, Phillip K. Dick. Em minha postagem de hoje, mais um de seus grandes trabalhos marca presença: "The Three Stigmata of Palmer Eldritch", um dos grandes livros do escritor publicados durante a década de 60.

Plano de fundo: Em meados do século XXI, colônias humanas em diferentes planetas já são a mais pura e factual realidade. Isso não significa, porém, que o trabalho seja divertido; na verdade, todos aqueles selecionados para colonizar outros planetas, e em especial o desolado Marte, acabam afligidos pela loucura do isolamento e monotonia constante, fatores que fazem os colonos buscarem incessantemente algo que lhes traga qualquer tipo de satisfação. Entra aí a droga alucinógena Can-D.

Desenvolvida pela controversa empresa P.P. Layouts, Can-D oferece alívio instantâneo e transporte mental coletivo a solo terrestre sempre que usada em conjunto com outros produtos da P.P. Layouts, as miniaturas da boneca Perky Pat. Agora, no entanto, outra droga ainda mais poderosa está prestes a entrar em cena e acabar com o monopólio de Can-D e da P.P. Layouts: ela é a forte Chew-Z, trazida do sistema Prox até o sistema Sol por Palmer Eldritch, que há dez anos partira em uma missão interestelar por tais bandas. A potência de Chew-Z, contudo, pode ser capaz de mais do que simples viagens surreais momentâneas, e sua existência e dons quase divinos podem entregar aquilo que até mesmo Deus só prometeu aos humanos. Isso é, se Ele já não foi encontrado.

Papum: "The Three Stigmata of Palmer Eldritch" é a última obra da coletânea de livros de Phillip K. Dick da década de 60 que ainda precisava ler. O resultado, apesar de não tão imaginativo quanto "The Man in the High Castle" ou divertido como "Ubik", é de qualquer forma potente e complexo, abordando novamente temas muito recorrentes nos trabalhos de Dick como a instrumentalização de drogas e a verdadeira percepção da realidade. Having said that, creio ainda que "The Three Stigmata of Palmer Eldritch" seja um dos livros narrativamente mais audacioso do autor, já que seu jogo de cenários ganha ambiguidade ímpar na segunda metade da obra, dificultando qualquer interpretação do que é real e o que não é. E isso Dick faz magistralmente.

Contando com um incomum início introdutório para seu elenco de personagens (que tem em seu foco o dono da P.P. Layouts, Leo Bulero, e seu funcionário precog Barney Meyerson), "The Three Stigmata of Palmer Eldritch" exige compreensão e assimilação instantânea do leitor com relação ao background da obra em um curto espaço de tempo, construído e conduzido mais através de falas do que descrições propriamente ditas. Tratando-se de uma ficção-científica, então, é natural que lutemos para entender de uma vez a simplicidade e estranheza de Perky Pat (alusão clara às bonecas Barbie) e como seu pequeno mundo em miniatura acaba por se materializar através do uso da droga Can-D (leia Candy, referência à forma de bala do objeto). Afinal, a droga é capaz de transportar a mente de seus usuários até Perky Pat ou seu marido Walter Essex (o Ken da coleção), agrupando mentes femininas e masculinas dentro de um corpo que permite um estado de consciência coletiva e imaginação terrena que é mais do que um alívio aos frustrados colonos de Marte. A narração aqui é sublime, e pensamentos se sobrepõe na mesma medida em que os usuários se mesclam e se entendem, formando o que Dick chama de tradução. Tal válvula de escape, é claro, também acaba por inevitavelmente remeter aos prazeres terrenos e até mesmo instintos sexuais suprimidos na vida de qualquer colono, ainda que Can-D seja estritamente proibida por decretos da ONU. As miniaturas da P.P. Layouts, por sua vez, dão vida e solidez a essa vivência transcendente, criando assim um monopólio da empresa que, por ironia do destino, encontra-se prestes a ser ameaçada, o que nos leva ao grande conflito da trama.

Assim que entra em cena, a droga Chew-Z (leia Choose), trazida pelo misterioso Palmer Eldritch do sistema Prox, torna-se uma experiência de tradução mais do que alucinógena. Assim como seu descobridor prega, ela oferece o que Deus apenas prometeu até agora: um amplo sentido de vivência e encarnação que pode ser alterado ao bel-prazer do usuário enquanto o mesmo constrói sua própria realidade e conduz o tipo de existência que quiser, seja ela humana, animal, vegetal ou até mesmo inanimada em seu tempo de efeito. Tal experiência é naturalmente algo etéreo, mas um senso físico também surge dela ao possibilitar que seus usuários vaguem em espaços de tempos diferentes e deixem até mesmo ecos mentais fantasmagóricos que ressoam por realidades sem barreira de espaço ou tempo. O problema disso, contudo, é a presença sempre pontual de Palmer Eldritch em qualquer plano desenhado pelos Choosers, marcando sua onipresença e aspecto divino que fazem Leo Bulero e sua empresa P.P. Layouts tremer diante daquilo a sua frente; sim, pelo visto Palmer Eldritch encontrou imortalidade e divindade em sua jornada a Prox, e seu domínio e influência ultrapassam o plano mental de Chew-Z para chegar até a realidade, onde sua presença se manifesta através de três estigmas recorrentes na visão das personagens: seus olhos mecânicos, dentes metálicos e mão robótica.

Como se tudo isso não bastasse, o confronto ainda ganha mais profundidade quando analisamos que tipo de personagem Leo Bulero é. Afinal, como todo poderoso empresário na história, Bulero faz parte do seleto grupo que tem acesso à E Therapy (Terapia Evolutiva), tornando-o um humano muito mais evoluído do que aqueles que o rodeiam. Isso torna o embate entre Bulero e Eldritch uma luta entre a evolução e o divino, onde não há quem esteja certo ou errado. Vendo o desenrolar das tramas, Barney Meyerson tem o nosso ponto de vista da situação inteira, já que ele é o personagem mais humano do conflito, tendo na separação de sua mulher Emily e na perda de seu trabalho carga emotiva e motivacional o suficiente para querer ir a Marte em busca de reclusão. Ao usar Chew-Z, então, seu ceticismo dá lugar a outro tipo de sentimento, e sua compreensão da verdade inclui o encontro de Palmer Eldritch no sistema Prox com aquilo que todos suspeitavam que pudesse estar em algum ponto do vasto universo: Deus. Sob um ponto de vista complexo, então, a discussão sobre o que de fato Ele é ou o que Ele quer ganha profundidade conforme Palmer Eldritch influencia a realidade de todos, mesmo sabendo que em breve Leo Bulero há de matá-lo. Sua ampla rede, no entanto, talvez já seja grande demais, e uma morte física nada signifique para ele, já que Palmer Eldritch há muito deixou de ser um homem qualquer. Construindo e destruindo a realidade a todo instante, Dick brinca com o que as personagens pensam ser real e o que realmente é, tecendo um confuso e complicado tear de ideais que não pode e nem deve ser entendido de um só modo. Racionalizar seu trabalho aqui é tirar dele todo seu brilho e loucura, consequentemente acabando com o incrível toque de diversão e desafio que é realizar sua leitura.

Agora 'nuff said. Há certamente dezenas de outras coisas a falar sobre o livro, mas quero deixar isso para aqueles que venham a ler a obra. Do mais, continuo insistindo que sigam o blog e voltem sempre que possível!

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In a nutshell:

- The Three Stigmata of Palmer Eldritch -
Thumbs Up: embate evolução vs. religião profundo e complexo; curiosa ótica sobre a existência de Deus e seu verdadeiro propósito; conflitos pessoais misturam-se em um escopo grandioso de questionamento imaterial; jogo de realidades difícil e ambíguo, perfeito para leitores que gostam de desafios; final altamente interpretativo;
Thumbs Down: tentativas de auto-explicação em seus parágrafos finais;    

domingo, 23 de setembro de 2012

The Sandman Vol. 7 - Brief Lives


Autor: Neil Gaiman
Artista: Jill Thompson

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Yo! How’s it going?

Depois de passar alguns dias resolvendo assuntos pessoais um tanto pendentes, volto ao blog para tratar mais uma vez de uma série muito popular em minha postagem de hoje: “The Sandman”, criada e escrita pelo grande autor inglês Neil Gaiman.

Já trouxe a vocês textos sobre o quinto e sexto arcos da coleção, “A Game of You” e “Fables & Reflections”. Assim sendo, hoje escrevo sobre o sétimo encadernado que compõe a série de doze, intitulado “Brief Lives”.

Plano de fundo: Delírio está preocupada com seu irmão Destruição, que há 300 anos abandonou a família dos Endless (Perpétuos) para conduzir a existência que quisesse. Afim de encontrá-lo uma vez mais, então, não resta opção alguma a ela senão buscar a ajuda de seus outros irmãos para partir em uma jornada até Destruição e ver por si mesma como anda o deus desertor de sua família.

Inicialmente rejeitada por Desespero e Desejo, Delírio encontra em seu relutante irmão Sonho (ou Morpheus) a companhia para poder chegar até Destruição. O caminho que os dois devem traçar, no entanto, guarda uma série de conflitos e reflexões preparados pelo próprio Destruição como obstáculos que impedem que ele seja encontrado, o que pode tornar a jornada de Sonho e Delírio uma busca dolorosamente humana e real.

Papum: Discorrer sobre o surrealismo e a profundidade de qualquer um dos volumes de “The Sandman” é tentar fazer o que há de mais óbvio e ao mesmo tempo mais difícil ao analisar o trabalho de Gaiman nessa que é uma das maiores séries em quadrinhos de todos os tempos. Having said that, tento abordar o arco “Brief Lives” sob um ponto de vista narrativo e descritivo que prioriza o simbolismo da obra e seu intrigante enredo dentro das interpretações que meu limitado conhecimento me permitem ter. Let's get on with it, shall we?

“Brief Lives” é talvez um dos trabalhos mais lineares de Gaiman em toda a série "The Sandman". Iniciado e terminado com dizeres parecidos de uma personagem humana (o guardião da cabeça de Orfeu), o arco é o mais emotivo dentre todos em que os Endless estão envolvidos, fazendo da viagem de Morpheus e Delírio não uma jornada exatamente transcendente, mas bastante física, já que é por nosso mundo que eles transitam. Nessa linha, as diferentes pessoas que fazem parte da jornada dos dois acabam por ter destinos terríveis previamente delineados por Destruição, que ao contrário do que pode parecer, é o mais humano de toda a sua família. O que vemos nesse tempo, então, é um mergulho dentro da brevidade não só mortal como divina, já que tanto os homens quanto os deuses devem ter um período de existência – e por definição, qualquer período de existência é breve perante o sempre. Tal fugacidade serve como principal agente de algo que o deus dos sonhos se revela incrivelmente contra: mudanças. 

No fundo, então, é sobre exatamente isso que “Brief Lives” se constrói, já que Morpheus só aceita viajar com Delírio tentando mudar seu estado de torpor após ser rejeitado, mas contraditoriamente, não deseja encontrar Destruição para não alterar o cenário atual do balanceamento divino e terreno. Ironicamente, no entanto, quem mais muda durante o caminho é o próprio Morpheus, fato dito e redito durante todo o arco e entendido através das diferentes atitudes do deus perante seus obstáculos: aqui há o maior processo de humanização da personagem até agora, já que ela não mais permanece totalmente apática àquilo que acontece em plano terreno ou aos mortais que cruzam seu caminho. Lentamente o deus tem mudado, e todos os seus irmãos sabem tanto disso quanto que talvez os Endless já não passem de simples símbolos que ainda perduram, mas não mais influenciam o tear do universo, tendo os seus dias invariavelmente contados. Tais revelações sem dúvida abrem pontas que devem ser exploradas mais para frente, e receio que o fim de "The Sandman" esteja bem aí.

Brilhando com o complexo enredo de Gaiman está mais uma vez a bela arte de Jill Thompson, veterana de guerra na série. Alternando entre traços faciais expressivos e linhas mais suaves quando necessário, Thompson utiliza-se de recursos diferentes conforme a história progride: ora temos jogos de luzes verdadeiramente impressionantes como na boate Suffragette, ora representações comportamentais precisamente retratadas pelos trejeitos de suas personagens, com ênfase nas poses incomuns de Delírio e as mudanças que seu cabelo tem conforme seu nível de lucidez oscila (outro ponto a ser destacado, lembro-me agora, é a caótica e desconexa maneira como a personagem fala, trabalho incrível de Gaiman que ganha ainda mais atenção com as cores e fontes irregulares em suas falas). O resultado artístico é então balanceado e preciso, ampliando ainda mais a abordagem pessoal de Gaiman durante todo o arco e culminando em um dos momentos mais tocantes de “The Sandman” até agora: a resolução do conflito entre Morpheus e seu filho Orfeu, mais uma prova de como o deus dos sonhos já não é mais o mesmo. Tendo isso em mente, é necessário que o leitor já tenha lido "Fables & Reflections" para realmente entender o que está em jogo e a resolução do problema; afinal, "Brief Lives" é  um arco extremamente sequencial dentro da coleção, já que resolve conflitos anteriores e abre os novos caminhos a serem tratados até o final da série.

Agora 'nuff said. Continuem a acompanhar o blog e sintam-se livres para seguir a página se quiserem! Basta clicarem no botão a direita para fazerem parte de Streampunk!

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In a nutshell:

- The Sandman Vol. 7 - Brief Lives -
Thumbs Up: ótimo retorno de Jill Thompson à série; boa conversação com os arcos mais antigos; premissa de grande escopo para a arrancada final da franquia; incrível humanização dos Endless e de Morpheus que acaba por aproximá-las de nós; ótima reflexão sobre a fugacidade da vida e sua insignificância perante um quadro maior;
Thumbs Down: -----