quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Jim Henson's Tale of Sand

Autores: Jim Henson e Jerry Juhl
Artista: Ramón K. Pérez


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Yo! How's it going?

Mais quadrinhos aqui no blog Streampunk. É com muito orgulho desta vez que falo sobre o ganhador do prêmio Eisner de quadrinhos de 2012, a consagração máxima da mídia em questão: o fabuloso "Tale of Sand", idealizado pelos já falecidos Jim Henson e Jerry Juhl (criadores dos Muppets) como um roteiro de cinema do final da década de 60 que jamais viu a cor do céu. On to it, then.

Plano de fundo: Mac recebe uma lambuja de dez minutos, e tem de aproveitá-la. É hora então de correr; correr além da pacata cidade do sudoeste norte-americano, adentrar o deserto que a rodeia antes que cheguem até ele. Afinal de contas, ele tem uma missão, mesmo que o próprio Mac não saiba ao certo qual é. Em sua frenética jornada, então, o agora apontado Desperado (fora-da-lei do oeste) deve passar pelas provações mais inimagináveis e loucas já sonhadas se quiser se livrar daqueles que o perseguem e chegar vivo aonde quer que suas pernas o levem.

Papum: "Tale of Sand" é uma daquelas histórias difíceis de serem analizadas; sem um objetivo claramente determinado e nem motivações pré-estabelecidas, o conto apenas posiciona o leitor ao lado de sua personagem e a insere em conceitos absolutamente surreais que não precisam necessariamente fazer sentido. Pois é, e o resultado é formidável.

Desde o começo fica bem claro por que Jim Henson e Jerry Juhl nunca conseguiram que produtora alguma se interessasse por "Tale of Sand" a ponto de filmá-lo. Altamente visual e exquisite, o conto precisaria de um belo investimento cinematográfico para ter seu enredo contado de forma fiel, e mesmo assim o resultado dificilmente atrairia um grande público aos cinemas na época em questão (e nem agora, pensando bem). Afinal, não estamos diante de uma obra verborrágica que quer fazer seus espectadores se sentirem bem ao entendê-la, tampouco de algo que deve fazer sentido. Estamos diante de uma trama que leva seu protagonista ao extremo página após página, ora em ambientes extremamente claros (os planos de Pérez em amarelo e laranja são simplesmente brilhantes) e ora em escuros (vez de tons de roxo, azul e cinza); ora com cenários desertos e ora com ambientes completamente apinhados. Tais contrastes são ainda adocicados quando entram em cena leões, tubarões, jogadores de futebol americano e outros inúmeros elementos totalmente aleatórios sobre o qual o leitor não precisa e nem deve parar para racionalizar, mas sim incorporar à trama de bom coração, já que tudo indica que o sol escaldante e a ausência de nicotina podem estar causando alucinações em nosso herói desde o início, o que não seria tão absurdo assim.


Se o trabalho de Jim Henson e Jerry Juhl (que também acabaram virando personagens em "Tale of Sand", se os mais atentos puderem notar) impressiona por sua criatividade, Ramón K. Pérez faz muito bonito também. Dono de uma arte que flerta entre o cartunesco e o detalhismo, Pérez esboça cenários incríveis e diferentes sequências de quadros durante toda a obra, preocupação clara em prender seu leitor com um dinamismo digno de uma história tão maluca. Seu trabalho é completo, suas cenas de movimento extremamente eficazes, suas escolhas de coloração impecáveis. Tudo isso resulta em uma montanha-russa frenética de eventos que, desde o princípio, dependem completamente do visual da obra para convencer, responsabilidade que Pérez assume e ainda faz questão de mostrar ao colocar diversas páginas do roteiro original de Henson e Juhl durante "Tale of Sand", possibilitando ao leitor ver o material original com o qual o próprio Pérez trabalhou para desenhar a história. Tal honestidade não serve apenas como easter egg, mas também como uma espiada na fonte de ideias da Graphic Novel e em como Pérez interpretou o trabalho que recebeu em mãos.

Por fim, é interessante ressaltar que "Tale of Sand" é uma obra cíclica, o que já chamei aqui no blog de pequena eternidade. O enredo começa no ponto onde termina, e assim se repete indefinidamente, valorizando muito eventuais releituras e abrindo margem para diferentes interpretações. A viagem é boa, acreditem.

Agora 'nuff said. Não deixem de conferir "Tale of Sand" quando a obra chegar ao Brasil. Continuem a acompanhar o blog e até a próxima!


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In a nutshell:

- Jim Henson's Tale of Sand -
Thumbs Up: arte magnífica de Ramón K. Pérez; cores vibrantes que fazem a obra pulsar; enredo audacioso e completamente visual que se renova a todo instante; senso cíclico de boa conversação e planejamento; surrealismo divertido e corajoso;
Thumbs Down: -----

terça-feira, 4 de setembro de 2012

O Ditador

Direção: Larry Charles
Elenco: Sacha Baron Cohen, Ben Kingsley, Anna Ferris, Jason Mantzoukas

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Yo! How's it going?

Hora de mais uma dose de cinema aqui no blog. Trago a vocês a nova comédia do controverso e polêmico Sacha Baron Cohen, ator que se consagrou com seus trabalhos em "Borat" e "Brüno".

Plano de fundo: Quando o almirante-general Aladeen (Sacha Baron Cohen), governante da República de Wadiya, tem de voar a Nova York para responder à ONU as crescentes denúncias acerca do interesse em tecnologia atômica de seu governo, o que o contempla é um ato de traição de seu tio Tamir (Ben Kingsley) que acaba por transformá-lo em um simples cidadão qualquer enquanto um sósia assume seu lugar. Cabe agora a Aladeen, "ajudado" pela liberal e alternativa Zoey (Anna Ferris), chegar até seu impostor e desmascarar seu tio antes que o farsante assine uma nova constituição que removerá o sistema ditatorial de Wadiya.

Papum: Carecemos de comédias boas há belos anos, isso é um fato mais do que consumado. Infelizmente, seguindo essa linha, "O Ditador" não faz muito para alterar o patamar do gênero no cinema e pouco agrega ao já tão decadente cenário cômico atual.

Como de costume, em "O Ditador" Sacha Baron Cohen encarna mais um estereótipo construído proposital e erroneamente pela cultura norte-americana e o coloca na terra dos Yankees afim de causar um choque ideológico e cultural que possa render boas piadas. A premissa seria muito interessante se já não houvesse sido abordada em outras películas como "Borat", "Brüno", "Zohan" e tantos outros projetos cinematográficos nos últimos anos, alguns até mesmo do próprio Sacha. Isso inevitavelmente joga contra o possível charme do filme quase o tempo inteiro, já que à esta altura já estamos mais do que acostumados com o estilo em questão, aborde ele piadas de cunho cultural e religioso ou até mesmo sotaques forçados que, se outrora eram divertidos, agora já começam a cansar.

Escrachado desde seu começo, "O Ditador" até contém piadas divertidas e interessantes, mas que acabam repetidas durante o próprio longa por falta de criatividade. Isso não deve ser um empecilho àqueles que se divertem com o estilo absurdo do filme, é claro, mas certamente incomoda aqueles que levam a arte um pouco mais a sério e querem conteúdo, que até se mostra presente em alguns instantes, como no discurso de Aladeen sobre os benefícios de uma ditadura: discurso esse que, se analisado com sensatez, acaba dissecando o sistema político norte-americano em cada uma de suas feridas até tornar a nação exatamente igual à terrível Wadiya, terra natal de Aladeen. A cena pode ser comparada de forma inversamente proporcional ao discurso de Chaplin em "O Grande Ditador", provável intenção dos roteiristas ao criá-la e paródia essa cuja acidez até diverte. É ruim, porém, que tais momentos acabem preteridos à nova tendência de produtores em construir cenas mais visuais do que sutis, apoiando-se em nudez, caretas e pastelão em quase todos os maiores momentos do filme (lembrando muito o que vimos em "Se Beber Não Case 2").

Pois bem, mesmo tendo dito tudo isso, tenho que admitir que "O Ditador", por mais estranho que pareça, acaba por cumprir o trivial papel ao qual se propõe no final das contas, cumprindo sua controversa promessa. Apesar de amplamente bizarro, não há como negar que o filme acaba sendo no geral engraçado (talvez justamente por ser tão absurdo), o que certamente contribui para que os projetos de Sacha Baron Cohen continuem a ganhar atenção por mais alguns anos a vir. Quem está contente com o cenário humorístico atual e gosta de filmes como os já citados acima deve dar altas gargalhadas com a película, mas àqueles que só gostam de cinema enquanto arte e conteúdo eu digo: não se auto-flagelem ao ver mais um besteirol tão grande como esse. Se não tiverem escolha, abram o coração e diminuam a frequência de trabalho de seu cérebro. Afinal, o que vale é se divertir.

Agora 'Nuff said. Sei que muitas pessoas gostaram de "O Ditador", e espero que ninguém se sinta ofendido com as modestas opiniões relatadas aqui no blog. Sendo assim, continuem a acompanhar Streampunk e até a próxima!

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In a nutshell:

- O Ditador -
Thumbs Up: sátira ácida da ignorância norte-americana perante o mundo; discurso final de Aladeen que, pegando emprestado o clímax de "O Grande Ditador", de Charles Chaplin, culmina em uma reflexão bastante pesada sobre a "liberdade" americana;
Thumbs Down: dependência de humor visual apelativo em boa parte do filme; variação de sotaques de Sacha Baron Cohen já não convence tanto; reciclagem de ideias de projetos recentes que não tinham muito a agregar; repetição de piadas permeiam o longa; 

domingo, 2 de setembro de 2012

The Sword in the Stone

Autor: T.H. White
Ano de publicação: 1938

"Education is experience, and the essence of experience is self-reliance"

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Yo! How's it going?

Gor Blimey! Não há nada melhor do que voltar a ler algo realmente relevante e divertido no cenário da literatura mundial e digerir seu ótimo conteúdo. Hoje trago a vocês um pouco sobre o romance "The Sword in the Stone", primeiro volume da saga "The Once and Future King" do autor inglês Terence Hanbury White que narra a saga do Rei Arthur (ou Artur) sob um olhar divertido, fantasioso e comovente.

"The Sword in the Stone" é um dos maiores clássicos da literatura arthuriana (ou Arturiana) de todos os tempos, tendo sido até mesmo adaptado para as telonas por Walt Disney em 1963, com o nome "A Espada Era a Lei". Além disso, em um estudo literário um pouco mais contemporâneo, qualquer um pode notar a grande influência narrativa que T.H. White teve no trabalho de uma das autoras de maior sucesso na atualidade, J.K. Rowling, que inúmeras vezes declarou que "The Sword in the Stone" é um de seus livros favoritos. A jornada de amadurecimento e aprendizado de Harry, por exemplo, é em certos pontos muito parecida com a do jovem Wart, e depois de ler "The Sword in the Stone", é impossível não perceber o quanto Albus Dumbledore é baseado no mago Merlyn (ou Merlin), não só em aparência (como é óbvio a todos) como em falas, maneirismos e comportamentos. Having said that, let's get down to business!

Plano de fundo: Wart é um jovem ingênuo e curioso que vive no castelo de seu pai adotivo Sir Ector nas bordas da Floresta Sauvage. Quando ele e o jovem Kay (filho verdadeiro de Sir Ector dois anos mais velho que Wart) decidem brincar com um dos gaviões do castelo (a temperamental ave de nome Cully), ambos se dão mal ao ver o animal escapar para a orla da floresta e não dar indícios de querer voltar.

Aflito em encontrar Cully, Wart prontamente se aventura no meio da mata, e sua busca acaba por levá-lo até o mago chamado Merlyn. Ciente do iminente encontro entre os dois desde sempre, o velho feiticeiro se oferece para ser o tutor de Wart no Castelo Sauvage, posição muito buscada por Sir Ector para poder educar seus dois filhos da melhor forma possível.

Com a ajuda de Merlyn, Wart inicia assim sua jornada de aprendizado, fantasia e valores que, um dia, será a bagagem necessária para forjar o destino que já está traçado para ele, mesmo que o jovem ainda não saiba - o de se tornar o mais importante e mitológico Rei da Inglaterra.

Papum: "The Sword in the Stone" é magia pura, uma verdadeira viagem pela inocência e  jornada de aprendizado tocante o suficiente para encantar crianças, jovens e adultos com força ímpar.

Misturando fantasia e fatos clássicos da literatura arthuriana, T.H. White constrói a até então nunca abordada infância do Rei Arthur, aqui chamado de Wart (Verruga), para tratar de toda a educação e crescimento da lenda até sua consagração real. Somos conduzidos desde o divertido e honesto encontro do garoto com o mago Merlyn até o mundo mágico que o feiticeiro é capaz de proporcionar com tanta vivacidade e o ápice da consagração do garoto, pontos de brilho absoluto da obra, indubitavelmente.

Durante suas lições nada comuns, e em cada uma de suas transformações em animais, Wart constrói sua educação tanto social quanto política e, vejam bem, até mesmo religiosa. Afinal de contas, como o próprio Merlyn diz, educação é experiência, e a essência da experiência está na autodependência. Em grupos distintos de animais e quase sempre sozinho, Wart tem profundo contato com os mais intrínsecos aspectos humanos e regras de distintas sociedades através de pequenas fábulas: na forma de um peixe, o garoto aprende o que é a lei do mais forte e o significado do poder; na forma de um gavião, é um parlamento aviário que se apresenta, a presença de uma verdadeira corte; como formiga, Wart conhece o poder ditatorial, a segregação de grupos e a desvalorização do indivíduo; enquanto texugo, por mais estranho que pareça, é hora de estudar o motivo do homem governar o mundo desde sua criação. Tudo é meticulosamente trabalhado de modo que Wart possa se desenvolver para que, futuramente, possa de fato ser o rei justo e lendário que a Inglaterra clama.

Participações especiais de outras lendas inglesas também marcam presença em "The Sword in the Stone". Para meu profundo deleite, por exemplo, Wart tem uma de suas lições atreladas a Little John (João Pequeno) e Robin Hood (no livro nomeado Robin Wood), figuras importantíssimas do folclore britânico que também contribuem consideravelmente na formação de Wart. Também faz uma breve aparição no romance a rainha Morgan La Fey (conhecida por todos como Morgana), figura importantíssima na posteridade da obra e mitologia arthuriana.

Outro elemento marcante do romance, e desta vez da narrativa de T.H. White, é o anacronismo proposital empregado pelo escritor. Mesmo com sua história vivida no século XII, White faz analogias que só podem ser entendidas por leitores dos séculos XX ou XXI, "descaracterizando" assim o tempo de sua obra. O uso de tal recurso, no entanto, é formidavelmente executado quando White, ciente das consequências de suas escolhas, joga limpo com o leitor logo no início do romance através da voz do narrador. Ainda mais importante do que isso, porém, é a estratégia do autor em fazer de Merlyn o verdadeiro anacronista da obra, já que o velho tem conhecimento tanto do passado e presente quanto do futuro, possibilitando a ele, e somente a ele, ótimas frases e comparações que são completamente entendidas por nós, leitores modernos, mas não pelas outras personagens da história. O jogo de imagens e comparações tão peculiares é amplamente divertido e cativante, permitindo ao leitor se aproximar da história independentemente de seu tempo.

Também é interessante mencionar que, por mais que eu goste da animação da Disney, são muitas as diferenças entre o livro e o longa que têm bastante peso. Em "The Sword in the Stone", já somos introduzidos de forma leve ao passado de Wart e sua ascendência na família Pendragon, motivo real de o garoto ser o único a poder retirar a espada da pedra. Cria-se então o grande mito, a lenda que há de mudar a história da Inglaterra para melhor através de façanhas incríveis e jornadas extraordinárias. Assim sendo, mal posso esperar para ler o próximo volume da saga "The Once and Future King", o qual certamente abordarei aqui no blog muito em breve.

'Nuff said, now. Se você é fã das histórias arthurianas ou gostou do texto, poste seus comentários e continue a acompanhar o blog!


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In a nutshell:

- The Sword in the Stone -
Thumbs Up: anacronismo proposital amplamente divertido; aguçado senso de humor e inocência que certamente influenciaram o trabalho de J.K. Rowling em Harry Potter; metáforas na forma de fábulas que dão corpo e conteúdo singulares à obra; personagens extremamente cativantes; descrição de momentos icônicos precisa e poignant;
Thumbs Down: -----

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

The Books of Magic: Girl in the Box

Autor: John Ney Rieber
Artista: Peter Gross

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Yo! How's it going?

Entre uma postagem mais importante e outra, sempre surge uma Graphic Novel que merece ser abordada aqui no blog. Hoje, continuo meu trabalho com a série "The Books of Magic" ao tratar do arco "Girl in the Box".

Plano de fundo: Timothy Hunter, o garoto que está destinado a ser o maior feiticeiro de seu tempo, está cansado das pragas fantásticas e criaturas mágicas que o perseguem. Buscando um pouco de normalidade em sua rotina tão incessantemente absurda, o garoto deixa sua casa para trás e viaja a São Francisco, onde acaba se encontrando acidentalmente com Leah, um súcubo anteriormente libertado  por ele.

Junto com Leah, Tim parte então em busca de Zatanna, a figura que deve orientá-lo em sua jornada mágica dali em diante. O que ele não suspeita, porém, é que por o pé na estrada o levará novamente ao mundo da magia, onde desta vez é com seus próprios medos e receios que ele deverá conflitar.

Papum: O que mais marca o arco "Girl in the Box" é sua inconstância narrativa. Iniciado de forma preguiçosa, o enredo primeiramente não apresenta uma base motivacional sólida o suficiente para tirar Tim de seu cenário e levá-lo a São Francisco, e em um golpe bem infeliz, John Ney Rieber acaba por sabotar uma das poucas coisas boas que haviam saído do arco "Transformations": sim, as tatuagens de Tim já não tem mais valor algum.

Pois bem, dentre escolhas um tanto quanto questionáveis e a arte agora um pouco mais inconstante de Peter Gross, "Girl in the Box" também acaba por não ter um objetivo muito definido até seu término, flertando entre momentos visuais e descritivos que não convencem o leitor de seu verdadeiro propósito. Há fantasia, vejam bem, mas não há aprofundamento em nenhuma personagem do arco que não seja Tim ou a própria Leah, conflito que acaba sendo o grande ponto do volume ao, pela primeira vez na série, abordar de forma mais direta a sexualidade dos jovens e o medo de Tim em se tornar um homem de verdade. Justiça seja feita, o encontro do adolescente com as sereias do pecado é bem interessante, assim como a onda de questionamentos que o assolam quando o garoto percebe que, até agora, ele não tomou decisão alguma para nada em sua vida, fosse ela boa ou má.

Paralelamente, Molly O'Reilly, ex-namorada de Tim ainda presa em Faerie, aguarda pelo desafio dos tolos criado pela fada Amadan, ganhando agora a atenção da rainha Titania enquanto tenta gerar frutos reais no mundo da fantasia. Novamente a resolução para esse conflito é adiada, fazendo o leitor questionar-se sobre sua verdadeira importância no grande esquema das coisas: afinal, tal subtrama aparece em quadros ora espremidos ora perdidos no meio da narrativa de Tim, tornando-se irrelevante perante sua própria função. Volto a salientar que é bom o uso de pontas soltas em séries em andamento, mas nesta altura do campeonato, ninguém se importa verdadeiramente com o que possa acontecer com Molly, mesmo que a personagem tenha surgido com bastante carisma e criado corpo em suas primeiras edições. Alongar sua subtrama e retardar sua resolução é um grande erro de escolha de John Ney Rieber, que agora terá que se esforçar muito para poder retomar tal fio ao enredo central da série e encerrá-lo em uma boa nota.

Agora 'nuff said. Continuem a acompanhar o blog e até a próxima!

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In a nutshell:

- The Books of Magic: Girl in the Box -
Thumbs Up: sexualidade finalmente abordada de forma mais franca; interessante desenvolvimento da personagem súcubo Leah; questionamento reflexivo de Tim que também atinge o leitor;
Thumbs Down: fraca base motivacional para desencadear todos os acontecimentos narrados; subtrama de Molly não avança em quase nada; traço inconstante de Peter Gross; preguiça narrativa de John Ney Rieber pela primeira metade do arco, apoiando-se em seu desenhista sem fazer muito esforço criativo; sabotagem do principal elemento do arco "Transformations";

terça-feira, 28 de agosto de 2012

H.P. Lovecraft - Sessão I


Tramas: The Statement of Randolph Carter (1920), The Call of Cthulhu (1928), At the Mountains of Madness (1931)

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Yo! How’s it going?

Desde que iniciei o blog Streampunk, tenho esperado o momento certo para começar a falar de Howard Phillips Lovecraft, escritor de contos de terror e suspense que, apesar de publicados no começo do século XX, continuam a impressionar com sua massiva solidez relativa à ficção-científica e tramas ocultistas. Considerando que o autor teria feito seu aniversário semana passada, dia 20 de agosto, acredito que a hora tenha chegado. 

Como Lovecraft é muito conhecido por seus poemas e prosas curtas e macabras, achei inviável escrever sobre cada uma delas em postagens diferentes. Assim sendo, resolvi agrupar suas histórias em trios ou quartetos, tendo o prazer de começar a escrever sobre elas a partir de três de seus contos mais famosos. Novamente, faço uso de termos em inglês durante meu texto por ter lido as obras em sua língua original. Having said that, também não posso fazer promessas quanto a quando devo escrever sobre Lovecraft novamente, mas peço que vocês, leitores, sejam pacientes. Há muitos livros na minha cabeceira que demandam minha atenção.

Plano de Fundo:

The Statement of Randolph Carter”: Seguindo o chamado de seu amigo Harley Warren, Randolph Carter tenta auxiliá-lo na busca e investigação conduzida por Warren a respeito de uma sinistra passagem entre mundos descrita em um livro misterioso lido pelo ocultista. Carter ouve os relatos de Warren sobre o mundo subterrâneo em apreensão, enquanto a névoa de uma tragédia se desenha sobre seu amigo.

The Call of Cthulhu”: Após o misterioso assassinato de George Angell, seu sobrinho-neto tem acesso às anotações do velho professor que lhe servem de ajuda para desvendar os motivos por trás do crime. Os relatos do velho detalham sonhos coletivos, rituais macabros e cenários sobrenaturais simplesmente inexplicáveis, indicações essas do terror insano e encontro alienígena que está para ser revelado.

At the Mountains of Madness”: Quando um grupo de expedição formado por geólogos e biólogos norte-americanos parte para a Antártica atrás de material de estudo terrestre, o que os contempla são as ruínas de uma civilização milenar em meio à uma verdadeira prisão montanhosa de neve e gelo. Seguindo o horror que sobrecai sobre a maior parte do grupo, segredos profundos sobre a antiga cidade são deduzidos e revelados – segredos esses que podem representar a origem da vida na terra e seus primeiros habitantes.

Papum: H.P. Lovecraft, assim como o que disse sobre Phillip K. Dick, é um autor que julgo incriticável. Criador de uma mitologia única, dono de uma escrita forte e estruturada e corajoso o suficiente para abordar até mesmo um senso de insanidade divina, o autor deixou um vasto legado que até hoje serve de base para outros livros, seriados, filmes e até jogos de videogame. Suas obras carregam trevas, angústia e maculação, reunindo ideias horrendas de uma mente distorcida que, se não agrada a todos, deve sim ser vista com brilhantismo.

The Statement of Randolph Carter” é um conto pequeno, mas extremamente relevante. Afinal de contas, ele faz parte das primeiras histórias que desenham a mitologia de Lovecraft e a solidificam. A ideia de bizarras entidades habitando a terra é introduzida breve, mas fortemente aqui, e não há como não termos um senso de que o personagem Carter, que ouve o relato de Warren quando o mesmo tem seu encontro com os seres estranhos, é um reflexo do próprio Lovecraft perante suas criações.

The Call of Cthulhu”, por outro lado, oferece mais do que uma sensação de medo do desconhecido: aqui há contato, realizado com um timing impressionante depois de construída a tensão narrativa. Afinal, é aqui que vemos pela primeira vez a entidade espacial conhecida como Cthulhu: uma mistura macabra de polvo, dragão e até traços humanos de poder aterrador e domínio cruel.

Trabalhando com um enredo forte e sombrio, ainda que extremamente curto, Lovecraft detalha sonhos sinistros e rituais quase satânicos como preparação para o encontro fatídico entre suas personagens e a criatura Cthulhu, momento simplesmente assustador: as descrições assombrosas do autor sobre o efeito produzido pela entidade são de dar nó no estômago, assim como a perseguição que tem início. Há algo forte e maciço sobre a cena, e a inserção da personagem em nossa mente é inevitável. Desde seu nome impronunciável (Lovecraft mesmo declarou que nenhum humano é capaz de pronunciar "Cthulhu" da maneira certa) à sua imagem absurdamente grotesca, Cthulhu transcende as páginas e torna-se uma figura concreta, fruto de uma imaginação grandiosa e grande poder descritivo de Lovecraft. Esse, afinal, é o preço do conhecimento tanto buscado pelos humanos.

At the Mountains of Madness”, uma das mais longas prosas do autor, também é uma adição mais do que considerável e até mesmo obrigatória a qualquer aficionado por ficção-científica ou contos de horror. Lovecraft é preciso e minucioso em suas descrições, criando um cenário incrível para ambientar sua história.

Novamente temos a curiosidade como fator motivacional para suas personagens, o que é forte o suficiente para inseri-las com perfeição ao conflito – e aqui temos um escopo absurdamente incrível, já que as ruínas descobertas pelos protagonistas pertencem à cidade dos Old Ones (Antigos), criaturas que habitam a terra há muito mais tempo que nós. Partindo desse ponto, é curioso ver como Lovecraft descreve sua mitologia: misturando um forte senso de dedução das personagens (que aqui interpretam estátuas e inscrições nas paredes da cidade) com o conhecimento prévio que elas têm sobre as entidades cósmicas vindo da obra fictícia Necronomicon (o livro proibido que contem tudo sobre tais criaturas), Lovecraft nos leva a uma jornada surreal que passa pela própria criação da vida na terra, vinda primeiramente na forma dos seres amórficos Shoggoths, criados pelos Old Ones. Fica implícito aqui que toda a vida terrestre deriva deles, assim como que os próprios Shoggoths foram a causa da perdição dos Old Ones, dando-nos um paralelo curioso que representa a queda de deuses perante suas criações. Explicada a história, Lovecraft cumpre sua promessa e entrega o que esperamos: contato visual de profundo horror e tensão, sem qualquer pudor ou o que chamo de medo narrativo. O uso da narrativa em primeira pessoa (já mais do que habitual no trabalho do autor) renderiza vivacidade e mexe com os sentidos, ainda que não seja o protagonista quem acaba por ver o mais terrível dos fatos: o que se estende além das montanhas, aquilo que até mesmo os Old Ones tanto temem.

Bom, não tenho tempo para me alongar ainda mais nesta postagem, mas fica registrado aqui meu apreço imensurável pelo trabalho de Lovecraft e seu legado. Assim que completar a leitura de mais de seus contos (que tenho compilados em um único volume), voltarei a escrever sobre ele aqui no blog.

Agora ‘nuff said. Desta vez não trago a sessão “In a nutshell” justamente por ter abordado três contos simultaneamente. Espero que se interessem pelos mitos lovecraftianos e continuem a acompanhar o blog!


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domingo, 26 de agosto de 2012

Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado

Direção: Terry Gilliam e Terry Jones
Elenco: Graham Chapman, John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin

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Yo! How's it going?

Levei um pouco de tempo, mas aqui estou novamente para falar sobre mais uma produção do grupo inglês de comédia Monty Python. A bola da vez é o filme "Em Busca do Cálice Sagrado", segundo longa da trupe e filme que satiriza uma das lendas mais importantes na história da Inglaterra, o mito arthuriano.

Plano de fundo: Guiado pela voz de Deus, o Rei Arthur Pendragon (Graham Chapman), líder dos bretões e governante de Camelot, parte em busca do Cálice Sagrado: o Santo Graal, o copo que contem o sangue de Jesus. Em sua jornada, tanto o rei quanto seus leais cavaleiros Sir Lancelot (John Cleese), Sir Robin (Eric Idle), Sir Bedevere (Terry Jones) e Sir Galahad (Michael Palin) devem passar por terríveis testes se quiserem atender ao comando divino com sucesso.

Papum: Confesso que essa é a primeira vez que tenho tão pouco a escrever sobre um tema aqui no blog. Não que "Em Busca do Cálice Sagrado" seja ruim, vejam bem: é apenas difícil escrever bastante sobre filmes cômicos, em especial os mais pastelões.

"Em Busca do Cálice Sagrado", apesar de ser uma paródia das ricas lendas arthurianas, não vai muito a fundo em sua mitologia. Excluindo desde figuras como Merlin e Guinevere a Morgana e Mordred, a película atém-se em retratar apenas a viagem do Rei Arthur e aspectos superficiais da jornada inteira, satirizando no caminho tanto os maneirismos quanto a linguagem utilizada pelos ingleses no ano retratado, 932 d.C. Sendo assim, o que imperam são misturas entre piadas verbais e cenas clássicas de pastelão onde vacas voadoras, sequências em animação e desmembrações são altamente comuns.

O que é sempre interessante de observar nos trabalhos de Monty Python, porém, é como os atores e produção encaram seus projetos. Em instante algum somos levados a pensar que o que estamos vendo é uma coisa séria: seja nos créditos ou na sequência em preto e branco que tenta ludibriar o espectador e fazê-lo pensar que talvez esteja assistindo ao filme errado. Sendo assim, a performance do elenco inteiro é mais uma vez hilária, mas não apropriada àqueles que o humor inglês não consegue atingir. Há tolice e dezenas de piadas bobas, mas esse é exatamente o espírito do filme.

Questionamentos políticos e religiosos não estão muito presentes em "Em Busca do Cálice Sagrado", ao contrário de "A Vida de Brian". Com exceção de um sketch divertidíssimo no começo do filme onde um plebeu questiona como Arthur fora apontado à rei (exaltando a necessidade de uma figura pública ser selecionada justamente pelo povo), assim como a rixa entre bretões e franceses ou a paródia inusitada ao Cavalo de Tróia, não há nada de realmente relevante aqui. Os cenários bucólicos escoceses e frases de efeito, no entanto, acabam por suprir parte dessa ausência, tornando a película uma divertida saga nonsense ao extremo.

Agora 'nuff said. Até a próxima!

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- Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado -
Thumbs Up: ótima caracterização de cenários e personagens; audácia em quebrar elementos sólidos da lenda arthuriana e concluí-la de modo inesperado;
Thumbs Down: falta de aprofundamento no mito, cujo rico legado contém ainda mais material humorístico; toque pastelão certamente não agrada a todos;

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

The Sandman Vol. 6 - Fables & Reflections

Autor: Neil Gaiman
Artistas: Kent Williams, Shawn McManus, Stan Woch, Duncan Eagleson, Bryan Talbot, John Watkiss, Jill Thompson

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Yo! How's it going?

Hora de falar novamente aqui no blog sobre a série "The Sandman", escrita pelo autor inglês Neil Gaiman na década de 90. O encadernado da vez é o sexto na ordem de publicação da série, intitulado "Fables & Reflections" (Fábulas e Reflexões). Let's get going, then.

Plano de fundo: Orfeu. César Augusto. Maximilien Robespierre. Caim e Abel. As esposas de Adão. Essas são apenas algumas das histórias narradas em "Fables & Reflections".

Todas acompanhadas pelo deus dos sonhos Morpheus (ou Morfeus, em português), figuras históricas e religiosas importantes têm aqui parte de sua trajetória contada com precisão factual em uma coleção de contos que mistura fantasia e realidade de um modo surpreendentemente inteligível, marca registrada de Neil Gaiman durante todo seu trabalho com "The Sandman". Cabe ao leitor, então, embarcar em cada uma das jornadas por ele descritas e se deixar mergulhar nos doces e inúmeros mundos que formam não uma terra fantasiosa, mas o próprio lugar onde vivemos.

Papum: Se no último volume de "The Sandman" Neil Gaiman apresentava um único enredo linear e contínuo, "Fables & Reflections" volta a compilar contos curtos que não precisam ter uma conexão estabelecida. E como isso é bom.

Misturando figuras históricas com uma abordagem surreal e fantasiosa dentro de seus conflitos (sem alterar em nada o resultado factual atingido por tais personas), Gaiman faz um trabalho brilhante de pesquisa e criatividade ao levar ao leitor personagens reais de importância ou reputação marcantes em suas culturas durante o curso da história. Em seu elenco estão nomes como Orfeu (o homem que desceu ao submundo atrás de sua mulher Eurídice), Joshua Norton (o velho matusquela auto-proclamado imperador dos Estados Unidos) e até mesmo o califa Haroun Al Raschid, figura importante nos tempos áureos da cultura islâmica presente até mesmo em inúmeros contos das "1001 Noites".

Cada história, renderizada por um artista diferente, traz elementos próprios que mesclam poesia, relatos históricos e planos únicos. Tanto em "Three Septembers and a January" quanto em "Thermidor", por exemplo, cenários de época e as cores branca e cinza predominam nos quadros de narração e dão o senso temporal que tais contos necessitam. É interessantíssimo vermos como Gaiman inclusive insere figuras famosas como Mark Twain no primeiro conto em questão, ao mesmo tempo que narra a curiosa história de Joshua Norton e seu império fictício. Em "Thermidor", viajamos no tempo e conhecemos Maximiliem Robespierre, um dos homens mais importantes na sangrenta revolução francesa do final do século XVIII que teve seu idealismo mesclado com um senso ditatorial profundo e marcante onde terror e virtude caminhavam lado a lado. Gaiman usa fantasia para mover as cordas por trás do movimento que derruba Robespierre, mas é inteligente o bastante para não alterar a história e o popular decapitamento do francês.

Em contrapartida, em contos como "Ramadan" ou "The Parliament of Rooks", cores vivas e pulsantes dão o toque certo de fantasia pelo qual tais histórias clamam, e a variação de recursos narrativos de Gaiman impressiona: do uso de um inglês mais arcaico em diálogos antigos a narrações que devem ter um tom surreal ao se mesclarem com os eventos de Baghdad, culminando em belíssimos planos da cidade que misturam cenários, mitos e divindades da cultura islâmica em uma história que realmente comove.

O ponto mais alto de "Fables & Reflections", no entanto, talvez esteja na história mais conhecida entre os amantes de mitologia. Aqui, Orfeu é filho do deus dos sonhos, fato que serve apenas como aperitivo para que o leitor possa acompanhar de perto a tragédia que recai sobre o grego quando o mesmo vai até Hades pedir que o deus lhe devolva sua esposa Eurídice. Gaiman planeja quadros e ângulos incríveis que mostram a insignificância humana perante os deuses, e aumenta o suspense na hora exata envolvendo Orfeu em trevas antes de o homem chegar à superfície, fazendo-o olhar para trás e perder sua amada no momento mais agudo do enredo, desta vez para todo o sempre. Gaiman é muito astuto em abordar a correlação nominal entre Orfeu e Morpheus, mas também mostra inteligência ao fazer do deus dos sonhos um mero espectador aqui. Não é a pretensão do autor e nem de sua personagem alterar a história, mas sim narrá-la sob outro olhar, o que prova ser uma leitura frutífera e muito rica.

Há outros ótimos contos em "Fables & Reflections", mas acredito que os mencionados devam saltar aos olhos e à mente prontamente. Having said that, 'nuff said. Até a próxima!

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In a nutshell:

- The Sandman Vol. 6 - Fables & Reflections -
Thumbs Up: história e fantasia lado a lado em contos fortes e até líricos; uso apropriado de cores de acordo com a necessidade de cada conto; artistas diferentes na formação de uma verdadeira antologia de contos não só fantásticos como reais; variação de recursos narrativos de Gaiman, alternando até mesmo entre personagens genuinamente britânicas e americanas;
Thumbs Down: -----