domingo, 30 de setembro de 2012

Looper: Assassinos do Futuro

Direção e roteiro: Rian Johnson
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Bruce Willis, Jeff Daniels, Paul Dano, Emily Blunt

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Yo! How's it going?

Em minha postagem de hoje, volto a falar sobre cinema aqui no blog Streampunk. A película da vez é a recém-lançada ficção científica "Looper: Assassinos do Futuro", estrelando Joseph Gordon-Levitt e Bruce Willis.

Plano de fundo: Em Kansas City no ano de 2044, Joe Simmons (Joseph Gordon-Levitt) é um dos misteriosos "loopers", assassinos pertencentes a um grupo mafioso que, do futuro de aproximadamente 2074, envia seus alvos para serem eliminados em 2044 para que não sobrem evidências ou quaisquer vestígios de suas mortes no futuro em questão, resultando em uma queima de arquivo simplesmente perfeita.

Quando o próximo alvo de Joe revela-se ser ele próprio trinta anos mais velho (Bruce Willis), tem início uma frenética caçada de vida-ou-morte entre os dois: afinal, Joe tem que eliminar sua versão mais velha, enquanto o velho Joe busca implacavelmente a criança que se tornará o maior chefe do crime em seu futuro, o terrível Rainmaker, responsável pela morte de sua amada. O problema, é claro, é que a organização de "loopers" também está atrás dos dois Joes, e qualquer passo em falso pode significar o fim de ambas as suas existências.

Papum: Escrito e dirigido pelo relativamente desconhecido Rian Johnson (que assim como Tarantino, atém-se a dirigir filmes que ele próprio escreve), "Looper: Assassinos do Futuro" é um longa de ficção científica como não víamos há alguns anos no mercado: sincero, imaginativo e pessoal, além de levemente cyberpunk. Isso não significa que a película pode se juntar aos grandes nomes da ficção-científica de todos os tempos, vejam bem, mas já é um começo em uma época tão carente de histórias novas e interessantes que não sejam absolutamente descartáveis. Pois bem, on to the film, then.

Mais de uma vez li críticos dizerem que "Looper: Assassinos do Futuro" é um filme difícil de ser assimilado, caracterizando-se por um certo nível de complexidade que beire a confusão. Oponho-me a tal opinião por um simples fato: logo de início, somos apresentados aos "loopers" a partir de uma explicação em primeira pessoa simples e direta por parte de Joe, e qualquer espectador atento estará amplamente preparado para o desenrolar da trama from that point on. Isso pode desagradar aqueles que não gostem de filmes auto-explicativos, já que diálogos bem trabalhados poderiam ter a mesma função exigindo que ligássemos alguns pontos por conta própria, mas como há a necessidade por parte dos produtores em Hollywood de que o público entenda a premissa de suas histórias, a estratégia de Johnson é eficaz, embora não muito audaciosa. O que pode confundir alguns, então, é a existência e divergência de realidades, não explicada em detalhes no filme, mas perfeitamente compreensível a qualquer fã de ficção científica que se preze. Não estamos diante de inúmeras linhas do tempo alternativas, como bem poderia ser o caso, mas sim apenas duas: a mainstream e aquela que acaba por ser alterada. A sobreposição das duas é tão breve, contudo, que seu entendimento é perfeitamente possível sem fritar neurônio algum. Afinal, não estamos diante de um cyberpunk de Phillip K. Dick, cujas histórias são amplamente mais complexas. Nessa linha, se alguns dizem que entender filmes como "A Origem" não é grande coisa, entender "Looper: Assassinos do Futuro" também não significa muito. Discordo de tais opiniões e acho errado diminuir o entendimento do espectador quanto a película que estão vendo, mas a analogia é válida. 


Bem, having said that, o que vemos a partir das cenas iniciais também é uma alternância entre ação, perseguições e conversas que dão espaço tanto a tiroteios e mortes quanto ao desenvolvimento de suas personagens, talvez o ponto mais alto da película. Johnson é sensível para entender os momentos visuais e pessoais de seu filme, e a performance de Joseph Gordon-Levitt (perfeitamente maquiado com auxílio de próteses que o deixassem parecido com Bruce Willis) realmente impressiona. Aliás, uma das virtudes de Johnson foi entender a complexidade de Joe e exigir que um bom ator o interpretasse, o que poderia facilmente não ter ocorrido caso o diretor optasse por um ator qualquer que simplesmente parecesse com Bruce Willis. Gordon-Levitt imita trejeitos e maneirismos de Willis convincentemente, dando verossimilhança ímpar à incomum relação entre os dois.

Ainda em uma nota artística, os ângulos de Johnson também são interessantes e contam com enquadramentos bem criativos aqui e acolá, somados ainda há ótimas opções de distanciamento de cena que dão muito mais dramaticidade do que zooms com câmeras trêmulas, como cansamos de ver em Hollywood. Tudo isso, além da alternância entre os focos narrativos Levitt-Willis, necessita de uma boa edição, o que de fato ocorre nas mãos de Bob Ducsay, famoso por seus trabalhos na trilogia de "A Múmia". Resta ao roteiro, então, fazer seu trabalho bem feito, o que de fato ocorre nas mãos de Johnson: há diálogos afiados e engraçados pelo longa, além de singelas homenagens a diversos outros trabalhos de ficção científica que vão de piadas com roupas brilhantes a motos "high-tech" e codinomes de personagens. Tudo é bem estruturado (com exceção do vício de Joe, simplesmente largado em certa altura do filme) e o resultado, como já falei de início, é extremamente honesto, culminando em um clímax satisfatório para a maioria e término sólido. O silêncio da sala de cinema ao fim do filme pode dizer bastante sobre a opinião pública do longa, embora eu não saiba interpretá-lo de modo definitivo: teriam todos gostado ou simplesmente não entendido nada do filme? A dúvida fica, e só o espectador pode respondê-la. 

Agora 'nuff said. "Looper: Assassinos do Futuro" é uma ótima pedida para o fim de semana. Sigam o blog e postem seus comentários sobre o filme aqui mesmo. See ya!  


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In a nutshell:

- Looper : Assassinos do Futuro -
Thumbs Up: roteiro em geral coeso e coerente; clima e atmosfera para a trama;  maquiagem e performance de Joseph Gordon-Levitt; direção firme e inventiva; edição competentíssima;
Thumbs Down: explicações iniciais e principalmente indagações finais, quebrando para muitos a possível surpresa da cena;

Um comentário:

  1. Confuso para alguns, intrigante para outros. Não vejo problema em parar para refletir sobre o filme, como acontece em "A Origem". Bom assunto para discutir durante o jantar que vem depois da sessão.
    Ótimo post!

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