segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Amanhecer - Parte 2

Direção: Bill Condon
Roteiro: Melissa Rosenberg, Stephanie Meyer
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Michael Sheen, Dakota Fanning

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Yo! How's it going?

Depois de alguns dias de inevitável ausência aqui no blog Streampunk, volto hoje a todo vapor com uma postagem um tanto quanto polêmica; afinal de contas, discorro sobre um dos filmes mais controversos e aguardados do ano: "Amanhecer - Parte 2", quinto e último longa da saga vampiresca baseada nos romances best-sellers da autora norte-americana Stephanie Meyer cuja jornada cinematográfica foi iniciada em 2008 com a adaptação de seu primeiro e famigerado título, "Crepúsculo".

Plano de fundo: Com o nascimento da filha de Edward (Robert Pattinson) e Bella (Kristen Stewart) completamente consumado, assim como a própria transformação de Bella em vampira, uma nova ameaça está prestes a se apresentar aos Cullen: a família Volturi, grupo de maior poder e respeito entre todas as comunidades de vampiros existentes, não está contente com o surgimento de uma criança imortal, e agora viaja até Forks para punir os Cullen por seu hediondo crime em um conflito que há de selar o destino de seus membros de uma vez por todas.

Papum: Antes de qualquer coisa, acho bom deixar bem claro aqui que tentei ser um espectador de mente bem aberta ao assistir a todos os filmes da franquia "Crepúsculo". Afinal de contas, como trabalho de pesquisa literária e análise de mercado, eu realmente havia realizado a leitura dos quatro romances de Stephanie Meyer e, gostando deles ou não, sempre achara necessária uma avaliação pessoal dos livros para julgar seus respectivos filmes tanto enquanto adaptações quanto películas de valor cinematográfico. Pois bem, é então impressionante e igualmente triste constatar que o último filme da popular saga criada por Meyer é tão vazio quanto seus antecessores e manuscritos originais, não acrescentando absolutamente nada em qualquer âmbito social ou artístico possível e levando-nos a uma conclusão vazia que, convenhamos, poderia ter sido feita ao final do primeiro ou segundo longa da franquia sem problema algum.

Partindo exatamente do ponto onde havíamos sido deixados em "Amanhecer - Parte 1" e abrindo sua narrativa com uma escolha até que interessante de Condon ao contrastar vermelho e branco em planos sutis que ilustram a transformação de Bella em vampira, "Parte 2" nem precisa se esforçar para logo nos lembrar o tormento que é estar no cinema diante da habitual e absurda falta de argumento narrativo e interpretação forçada de seu elenco desde o início da franquia. De cenas toscamente montadas de Bella e Edward caçando juntos até o bebê Renesmee gerado por computação gráfica, não há diálogo ou acontecimento algum de real importância por dezenas de minutos no filme, ainda recheado de caretas e tentativas de frases de efeito que soam fracas e nada convincentes. Entre orgasmos ao maior estilo "Oba-Oba" de "The Sims" (com direito até a tímidos fogos de artifício) e mais de Jacob (Taylor Lautner) se despindo,  somos constantemente lembrados do absurdo que foi dividir um livro tão pobre quanto "Amanhecer" em dois filmes. Completamente atordoados pela maior lacuna criativa vista em uma franquia popular até hoje, apenas permanecemos sentados além da metade do filme porque já pagamos nosso(s) ingresso(s) e, sejamos sinceros, no fundo torcemos por alguma redenção de última hora. Nesse tempo, muita espuma é gerada ao redor da trama central, que assim como em seu livro base, tem mais uma vez conflitos gerados por mal-entendidos e falhas de comunicação que poderiam ser facilmente resolvidos. Com um pouco de otimismo, porém, aguardamos ao menos algum momento climático que dê uma pequena pitada de satisfação ao término de uma saga que se esgota sem deixar saudades, mesmo que tal momento inexista nos livros de Meyer. E vejam só, isso quase acontece. Quase.

Em um golpe de indubitável inconsequência e incompetência de Bill Condon e toda a sua trupe de produção criativa, "Parte 2" esboça em seu ato final um possível e benvindo distanciamento de seu fraco romance que, apesar de não fazer muito sentido (o discurso aleatório de Aro (Michael Sheen) sobre tecnologia ilustra muito bem isso), ao menos satisfaz a maior parte do contrariado público presente com acontecimentos enfim marcantes que têm relevância no universo criado. Não afirmo aqui que mortes são essenciais a uma boa trama, mas certamente o mundo maravilhoso e idílico de Bella e Edward pode sim ser abalado com uma tragédia ou duas antes de sua conclusão, ao contrário do final completamente diplomático do romance "Amanhecer". Condon, muito "esperto", realiza nosso desejo parcialmente, logo em seguida sabotando a liberdade criativa que tomara e jogando ao fundo do poço qualquer coisa boa que fora construída ao longo dos cinco penosos filmes produzidos até então. Sim, senhoras e senhores, refiro-me a um final digno de redações primárias terminadas em sonhos capaz de arrancar suspiros de indignação dos mais brandos espectadores, o que não é fácil. Depois de tamanha avacalhação, sobram letreiros de pseudo-comoção com o término da saga que emocionam somente as mais ávidas "crepusculetes" país afora, que acredito e espero terem crescido o suficiente para ter um olhar um pouco mais crítico daquilo que assistiram. Gosto não se discute e defendo tal ponto de vista piamente, mas é impensável acreditar que pessoas possam defender uma série como essa sob pontos de vista um pouco mais técnicos: contando com uma trama forçada, fraquíssimo desenvolvimento de personagens, desfecho anti-climático, atuações ruins (com exceção de Michael Sheen, já que a muda Dakota Fanning não conta) e efeitos especiais dignos de piadas, "Parte 2" fica perto de alcançar a proeza de ser o pior filme na mais fraca franquia popular da história do cinema. E isso não é pouca coisa.

Agora 'nuff said. Sei que há fãs por aí doidas para me esbofetear agora, assim como criticar meu trabalho no único livro que escrevi até agora como forma de ataque pessoal. Querendo comentar neste blog ou em qualquer outra página, contudo, peço apenas que sejam pessoas educadas e mostrem argumentos interessantes para que boas discussões sejam geradas, o que é sempre enriquecedor. Insultos pessoais e frases como "se é tão ruim, por que não faz melhor?" ou "isso é inveja" não serão levadas a sério.

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In a nutshell:

- Amanhecer - Parte 2 -
Thumbs Up: abertura até que simpática; boa atuação de Michael Sheen;
Thumbs Down: pela primeira vez aqui no blog, abstenho-me de maiores comentários;

3 comentários:

  1. Felipe, não assisti ainda ao filme, e confesso que não estou muito ansiosa para tal, mas pretendo fazer isso logo, só para poder opinar com maior propriedade sobre o assunto, mas vou usar dos livros para poder comentar. Mesmo ainda não tendo assistido ao filme consigo imaginar como isso ficou, achei sua escrita em um texto muito melhor que a da Stephenie na saga toda. Acho a construção dela extremamente fraca e vazia, e quando eu achava que ela podia ter terminado o livro de forma empolgante, deixando de lado a falta de acontecimentos interessantes dos livros anteriores, ela conseguiu se superar, e não de uma boa maneira. Se ela fosse uma boa autora ela teria conseguido dar algum sentido à toda a saga somente com o final. Ela fez o contrário e se provou mais uma vez fraca de produção criativa, deixou lacunas, caiu em clichês e não soube se impor diante dos fãs. Ela escreve de modo a agradar o público, mas eu creio que o respeito e admiração de um público fiel é apenas a conseqüência de um bom trabalho, e um público fiel não são adolescentes desesperadas que amanhã vão crescer e sentir vergonha de um dia terem idolatrado essa história.

    Ótimo texto, parabéns!

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  2. Acho que você está é com inveja dessa obra maravilhosa!!!

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  3. "Crepusculetes" foi engraçadíssimo, btw!

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