quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Y - O Último Homem

Autor: Brian K. Vaughan
Artisita: Pia Guerra

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Yo! How's it going?

Semana passada marcou o término da publicação da premiada série em quadrinhos "Y - O Último Homem" aqui no Brasil. Como iniciei o blog Streampunk a apenas duas edições do término da mesma, esperei sua conclusão para abordá-la como um todo, e não arco a arco. Sendo assim, hoje falo um pouco mais do incrível trabalho de Vaughan e Guerra que conquistou o mercado durante seus 5 anos de publicação, assim como parabenizo a Panini por levar a coleção a sério e tê-la publicado em sua íntegra, fato incomum entre nossas editoras.

Plano de fundo: Quando uma tragédia misteriosa causa o genocídio mundial de todos os seres machos do planeta, os únicos sobreviventes são o jovem Yorick Brown e seu macaco capucino Ampersand. Vivendo em uma sociedade agora completamente alterada, Yorick busca respostas para a extinção repentina do cromossomo Y no planeta, jornada que o fará conhecer membras de órgãos governamentais secretos, cientistas visionárias e até mesmo rebeldes fanáticas que o colocarão em risco a todo instante em sua jornada até sua namorada Betty, vista pela última vez no outback australiano. Afinal, todas querem o último homem, tanto vivo quanto morto.

Papum: É com muita satisfação que abordo "Y - O Último Homem" depois de ver sua conclusão publicada no Brasil sob um trabalho tão bem feito como o realizado pela Panini. Todos os dez arcos da coleção receberam ótimo tratamento editorial e boas traduções para se lançarem ao mercado, fazendo da série um marco de publicação de quadrinhos aqui em nossas terras que não víamos desde o concluído "The Sandman". Isso certamente nos anima a comprar novos títulos, é claro, uma vez que o medo de possuir séries incompletas ainda deixa qualquer leitor com a pulga atrás da orelha.

Partindo de uma premissa que pode não ser tão original (pelo menos no âmbito literário), mas nem por isso deixa de ser intrigante, Vaughan constrói "Y" a partir de seu foco em Yorick Brown de modo eficaz: protagonista, Yorick é cheio de referências pop durante todos os arcos, além altamente divertido. Suas relações com suas parceiras de viagem Agente 355 e Dr. Mann também são igualmente bem montadas, e Vaughan é esperto o suficiente para criar várias teorias de como os homens foram extintos até finalmente se concentrar na verdadeira lá pela metade da série, trabalhando com cliffhangers que deixam o leitor ávido pelo próximo volume. Ainda nessa nota, é impressionante como plot twists parecem fáceis na mão do autor, alterando o jogo frequentemente com o intuito de adicionar uma boa e benvinda pitada de imprevisibilidade em seu trabalho. Subtramas também têm importância durante a coleção, que consegue sim encerrar todas as suas pontas ao seu final, mostrando um planejamento e competência ímpar de Vaughan ao montar sua teia de histórias. Somadas a isso ainda há discussões entre ciência e religião que elevam o nível da obra em diversas análises sobre a morte dos homens, assim como incríveis olhares de diferentes perspectivas sobre sociedades completamente matriarcais que ora distinguem-se totalmente de suas antecessoras e ora reproduzem o mesmo tipo de vida conduzido no passado governado por homens, abrindo as portas de "Y" para realmente qualquer público.

O tempo inteiro ao lado do escritor está a desenhista Pia Guerra, escolha ideal para ilustrar a franquia. Esboçando um número absurdo de personagens femininas, o traço limpo e fortes expressões faciais de Guerra consegue distinguir cada membro de seu elenco facilmente, e embora seus quadros não possuam muito dinamismo em sequências de ação, os planos de diálogos e conflitos internos são realmente ótimos. Igualmente interessante é ver como as personagens são alteradas durante os quatro anos que se passam do começo ao final da série dentro de seu universo, fazendo com que seus designs mudem frequentemente: cortes de cabelo, barba, postura e até mesmo olhar. A preocupação com tais pormenores é verossímil e impressiona, tornando a obra ainda mais especial do que ela é. Por esses e outros motivos, então, "Y - O Último Homem" é recomendado tanto a fãs de quadrinhos quanto àqueles que simplesmente gostam de ler uma boa história, lembrando ainda que com o sucesso da adaptação de "The Walking Dead" às telas, "Y" certamente está nos planos de qualquer chefe de estúdio para uma versão live-action, seja na televisão ou nos cinemas.

Agora 'nuff said. Quem tiver interesse em adquirir a série pode acessar o site da livraria Comix e iniciar sua busca. A coleção vale a pena, então não percam tempo e divirtam-se com a divertida (ou distorcida) visão de um mundo governado inteiramente por mulheres que parece mais real do que pensamos.

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In a nutshell:

- Y - O Último Homem -
Thumbs Up: roteiro redondo de Vaughan até o final da série; referências pop divertem; personagens carismáticas e bem construídas; arte mais do que apropriada de Pia Guerra; divertido insight da maneira como mulheres conduziriam o mundo inteiro, reproduzindo até mesmo guerras da extinta sociedade patriarcal; plot twists que renovam a série constantemente; clímax impactante e preciso;
Thumbs Down: -----

Um comentário:

  1. Ótima série....ainda não terminei minha coleção, mas adoro!!!!

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