Autor: Brian K. Vaughan
Artisita: Pia Guerra
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Yo! How's it going?
Semana passada marcou o término da publicação da premiada série em quadrinhos "Y - O Último Homem" aqui no Brasil. Como iniciei o blog Streampunk a apenas duas edições do término da mesma, esperei sua conclusão para abordá-la como um todo, e não arco a arco. Sendo assim, hoje falo um pouco mais do incrível trabalho de Vaughan e Guerra que conquistou o mercado durante seus 5 anos de publicação, assim como parabenizo a Panini por levar a coleção a sério e tê-la publicado em sua íntegra, fato incomum entre nossas editoras.
Plano de fundo: Quando uma tragédia misteriosa causa o genocídio mundial de todos os seres machos do planeta, os únicos sobreviventes são o jovem Yorick Brown e seu macaco capucino Ampersand. Vivendo em uma sociedade agora completamente alterada, Yorick busca respostas para a extinção repentina do cromossomo Y no planeta, jornada que o fará conhecer membras de órgãos governamentais secretos, cientistas visionárias e até mesmo rebeldes fanáticas que o colocarão em risco a todo instante em sua jornada até sua namorada Betty, vista pela última vez no outback australiano. Afinal, todas querem o último homem, tanto vivo quanto morto.

Partindo de uma premissa que pode não ser tão original (pelo menos no âmbito literário), mas nem por isso deixa de ser intrigante, Vaughan constrói "Y" a partir de seu foco em Yorick Brown de modo eficaz: protagonista, Yorick é cheio de referências pop durante todos os arcos, além altamente divertido. Suas relações com suas parceiras de viagem Agente 355 e Dr. Mann também são igualmente bem montadas, e Vaughan é esperto o suficiente para criar várias teorias de como os homens foram extintos até finalmente se concentrar na verdadeira lá pela metade da série, trabalhando com cliffhangers que deixam o leitor ávido pelo próximo volume. Ainda nessa nota, é impressionante como plot twists parecem fáceis na mão do autor, alterando o jogo frequentemente com o intuito de adicionar uma boa e benvinda pitada de imprevisibilidade em seu trabalho. Subtramas também têm importância durante a coleção, que consegue sim encerrar todas as suas pontas ao seu final, mostrando um planejamento e competência ímpar de Vaughan ao montar sua teia de histórias. Somadas a isso ainda há discussões entre ciência e religião que elevam o nível da obra em diversas análises sobre a morte dos homens, assim como incríveis olhares de diferentes perspectivas sobre sociedades completamente matriarcais que ora distinguem-se totalmente de suas antecessoras e ora reproduzem o mesmo tipo de vida conduzido no passado governado por homens, abrindo as portas de "Y" para realmente qualquer público.
O tempo inteiro ao lado do escritor está a desenhista Pia Guerra, escolha ideal para ilustrar a franquia. Esboçando um número absurdo de personagens femininas, o traço limpo e fortes expressões faciais de Guerra consegue distinguir cada membro de seu elenco facilmente, e embora seus quadros não possuam muito dinamismo em sequências de ação, os planos de diálogos e conflitos internos são realmente ótimos. Igualmente interessante é ver como as personagens são alteradas durante os quatro anos que se passam do começo ao final da série dentro de seu universo, fazendo com que seus designs mudem frequentemente: cortes de cabelo, barba, postura e até mesmo olhar. A preocupação com tais pormenores é verossímil e impressiona, tornando a obra ainda mais especial do que ela é. Por esses e outros motivos, então, "Y - O Último Homem" é recomendado tanto a fãs de quadrinhos quanto àqueles que simplesmente gostam de ler uma boa história, lembrando ainda que com o sucesso da adaptação de "The Walking Dead" às telas, "Y" certamente está nos planos de qualquer chefe de estúdio para uma versão live-action, seja na televisão ou nos cinemas.
Agora 'nuff said. Quem tiver interesse em adquirir a série pode acessar o site da livraria Comix e iniciar sua busca. A coleção vale a pena, então não percam tempo e divirtam-se com a divertida (ou distorcida) visão de um mundo governado inteiramente por mulheres que parece mais real do que pensamos.
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In a nutshell:
- Y - O Último Homem -
Thumbs Up: roteiro redondo de Vaughan até o final da série; referências pop divertem; personagens carismáticas e bem construídas; arte mais do que apropriada de Pia Guerra; divertido insight da maneira como mulheres conduziriam o mundo inteiro, reproduzindo até mesmo guerras da extinta sociedade patriarcal; plot twists que renovam a série constantemente; clímax impactante e preciso;
Thumbs Down: -----
Ótima série....ainda não terminei minha coleção, mas adoro!!!!
ResponderExcluirInício da produção de um seriado no canal FX no período 2018-2019 sobre a HQ; é esperar pra ver se esse evento vai estar a altura do gibi da panini ...
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